Dilma aponta contradições da gestão Temer à TV russa
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quinta-feira, 19 de maio de 2016
Ricardo Galhardo<br>Agência Estado 
São Paulo - Em entrevista ao canal de notícias Russia Today exibida ontem a presidente afastada Dilma Rousseff fez críticas aos primeiros dias de gestão do presidente em exercício Michel Temer. Segundo Dilma, o governo do PMDB "adota uma medida hoje e muda amanhã" porque não tem um programa que tenha sido testado nas urnas. De acordo com Dilma, as idas e vindas do ministério de Temer tem como objetivo "encobrir" o objetivo de aplicar um programa "mais neoliberal possível".
Dilma falou ao serviço em língua espanhola do Russia Today na véspera, durante quase 40 minutos, no Palácio da Alvorada. É a segunda entrevista dela a um veículo estrangeiro desde que foi afastada da presidência. Dilma disse que pretende viajar pelo Brasil para denunciar o "golpe" do qual teria sido vítima.
Dilma também criticou as mudanças na política externa anunciadas pelo novo chanceler, José Serra. Segundo ela, Serra não tem compromisso com o fortalecimento dos laços com países da América Latina, África e os Brics (Brasil, África do Sul, Russia, Índia e China).
LÍDER DO GOLPE
Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, publicada ontem pelo site The Intercept, Dilma reiterou ser vítima de um golpe, e que seu líder é o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "O líder não é o presidente interino, o líder é o presidente da Câmara (Eduardo Cunha), que foi afastado agora", afirmou. Ela
afirmou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para definir o mérito da ação, mas deve fazê-lo apenas quando sua defesa julgar adequado. Ela também disse esperar que o presidente Ricardo Lewandowski "dê rito mais consistente" ao processo.
'BUNKER'
Dilma reuniu-se ontem no Palácio do Alvorada com dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para fechar uma agenda de atividades que a petista pretende cumprir em defesa de seu mandato. Numa espécie de "bunker de resistência" que montou no Alvorada, Dilma tem recebido ex-ministros e concedido entrevistas para a imprensa internacional para denunciar o que chama de "golpe" contra seu mandato.


