Dilma anuncia reajuste do Bolsa Família
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terça-feira, 01 de março de 2011
Mariângela Gallucci<BR>Agência Estado 
Brasília - Parlamentares de partidos de oposição entregaram ontem ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, uma ação na qual questionam a nova lei do salário mínimo. O PPS, o PSDB e o DEM querem que o STF suspenda um dispositivo da lei segundo o qual até 2015 o valor do salário mínimo poderá ser reajustado por meio de decreto presidencial, não sendo necessária a aprovação de uma lei específica pelo Congresso Nacional.
Para a oposição, o dispositivo desrespeita um artigo da Constituição Federal que estabeleceu que o valor do salário mínimo tem de ser fixado por lei. Segundo os partidos, ao usar a palavra lei a Constituição referiu-se a uma lei em sentido formal. Portanto, somente a lei - aprovada nos termos do rito estabelecido pela Constituição Federal - pode fixar o valor do salário mínimo, sustentam.
Os partidos reclamam que pelo novo sistema o Congresso não poderá se manifestar sobre o valor do salário mínimo de 2012 a 2015. Tal delegação contrasta a mais não poder com a mais elementar concepção de separação dos Poderes, argumentam. A disposição constitucional exige que a lei fixe o valor do salário mínimo. E fixar é, sem dúvida, definir todos os elementos que compõem certo conceito ou valor,
alegam.
Um dos participantes do encontro com Peluso, o senador Alvaro Dias disse que ocorreu uma usurpação do poder do Congresso Nacional de participar da discussão sobre o valor do salário mínimo. Dias afirmou que a oposição gostaria de ter resolvido o problema no próprio Legislativo. Mas como não foi possível os partidos tiveram de recorrer ao STF.
Não podemos trocar uma discussão feita por 513 deputados e 81 senadores por uma decisão de uma única pessoa (a presidente da República). No debate no Congresso, sempre é possível conseguir mais benefícios para o trabalha-dor, disse o deputado federal Moreira Mendes (PPS-RO) após a audiência com Peluso.
A ação protocolada no Supremo tem pedido de liminar. Ministros do STF que vão participar do julgamento já fizeram previsões de que haverá bastante debate no caso. A ordem natural das coisas é a aprovação pelo Congresso para ter-se lei no sentido formal e material, afirmou recentemente o ministro Marco Aurélio Mello.


