Dilma alfineta Campos em discurso no Nordeste
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segunda-feira, 25 de março de 2013
Daniel Carvalho <br>Folhapress 
Serra Talhada - A presidente Dilma Rousseff usou ontem seus quase 50 minutos de discurso em Serra Talhada, no sertão de Pernambuco, para enviar recados a seu provável adversário nas próximas eleições presidenciais, o governador Eduardo Campos (PSB-PE). ''Nenhuma força política sozinha é capaz de dirigir esse país com essa complexidade. Precisamos de parceiros. Precisamos que esses parceiros sejam comprometidos com esse caminho'', disse a presidente.
A presidente também anunciou, de uma só vez, R$ 2,5 bilhões em investimentos no Estado. Dilma referiu-se ao governador de Pernambuco como ''grande parceiro, extremamente respeitado pelo meu governo'', mas não o poupou de indiretas. Sem citar nomes, Dilma cobrou ''compromissos políticos''. ''Não podemos esquecer dos compromissos políticos que, ao longo da nossa vida, nós lutamos por eles''.
Além de dar publicidade a investimentos anteriores, a presidente anunciou mais R$ 2,341 bilhões para obras hídricas, rodoviárias e no porto de Suape. O governo federal distribuiu aos jornalistas um relatório sobre investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Estado, totalizando R$ 3,1 bilhões. Desse total, R$ 2,8 bilhões são federais, frente a R$ 330 milhões do Estado.
Governador
Já o governador Eduardo Campos amenizou o tom das críticas que vem fazendo ao governo federal. Disse que, no Estado, ela tem um ''governador, mas também um companheiro, um amigo''. Campos também afirmou que estava recebendo a presidente ''com a mesma atenção de sempre'', mas salientou que o Estado ''ajudou (Dilma) a ser presidente da República''.
Ele citou seu avô, o ex-governador Miguel Arraes (1916-2005), como uma espécie de conselheiro do ex-presidente Lula. Sem especificar nomes, o governador destacou a importância de diálogo com todos ao falar sobre a seca. ''A luta do povo exige a capacidade de dialogar, de respeitar as diferenças.''
O pernambucano, que tem se aproximado de lideranças do PSDB, citou indiretamente o governo de Fernando Henrique Cardoso e sua contribuição para a estabilidade econômica do país. ''Construímos fundamentos macroeconômicos importantes e depois, com Lula, vimos essas condições fazer o governo chegar aonde não chegava antes'', disse o socialista.


