Dilma afaga Lupi, mas quer que PDT enquadre rebeldes
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quinta-feira, 03 de março de 2011
Leonencio Nossa e Denise MadueÀo <br>Agência Estado 
Brasília - Depois de isolar o PDT e não convocá-lo para uma reunião de líderes, a presidente Dilma Rousseff recebeu ontem em seu gabinete, no Planalto, o único ministro do partido, Carlos Lupi, da pasta do Trabalho. A estratégia da presidente é fortalecer Lupi, que foi isolado na legenda pelo grupo do deputado Paulo Pereira da Silva (SP), ao defender o projeto do governo de um salário mínimo de R$ 545.
Em rápida entrevista no Planalto, Dilma tentou demonstrar que Lupi tem influência no governo. ''O ministro Carlos Lupi é de minha inteira confiança'', afirmou a presidente. ''O PDT fica no Ministério do Trabalho. Agora, eventuais problemas na base serão resolvidos pelo partido e não pelo governo.''
Dilma fez as declarações logo após uma solenidade de assinatura de acordos com o primeiro-ministro do Timor-Leste, Xanana Gusmão. Na conversa com os jornalistas, a presidente disse que o encontro com Lupi foi um ''despacho normal'', minimizando os efeitos da crise envolvendo o governo e o PDT e as retaliações ao partido que apresentou mais dissidentes nas votações do projeto do salário mínimo.
A presidente afirmou que nunca houve a possibilidade de Carlos Lupi ser demitido. ''Sem dúvida nenhuma, acho estranho como meu ministro sai do governo e eu sou a última a saber'', disse, em tom de ironia.
Anteontem, Dilma se reuniu com 15 líderes aliados no Planalto. O PDT foi excluído da lista de convidados preparada pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Setores do governo chegaram a dizer que a retaliação ao PDT partiu de Vaccarezza, mas o próprio parlamentar admitiu que recebeu ordens da presidente.
O Planalto aposta que a retaliação ao PDT, a primeira a um partido da base governista desde 2003, neutralize os dissidentes do partido e evite novos ataques de aliados a propostas do governo. Uma das preocupações de Dilma e sua equipe é o comportamento dos aliados na análise e votação do projeto que reajusta em 4,5% a tabela do Imposto de Renda. As centrais sindicais reivindicam um percentual maior. O Planalto, porém, avisou que não discutirá um aumento da correção.
Ontem, Vaccarezza disse que o PDT participará da reunião do Conselho Político em data ainda a ser marcada. O Conselho Político reúne os presidentes e os líderes dos partidos aliados. ''O PDT será convidado para a reunião do Conselho Político. É lá que vamos debater as políticas do governo'', disse o líder do governo na Câmara.
O partido também estará na reunião da base no próximo dia 15. Faz parte da rotina do líder do governo reunir os líderes aliados todas as terças-feiras durante um almoço para discutir a pauta da semana.
O PDT não foi convidado para o encontro da base com Dilma porque dos 26 deputados que participaram da votação do projeto do mínimo, 9 deram seus votos ao valor de R$ 560, 16 seguiram a orientação do Palácio do Planalto e um se absteve.


