‘Vira e mexe querem acabar com algum programa do governo Lula’


Jenipapo de Minas - Na festa de inauguração da barragem do rio Setúbal, ontem, no castigado Vale do Jequitinhonha, a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) não perdeu tempo. Assumiu com a voz embargada sua origem mineira e partiu para o confronto com a oposição, a quem acusou de planejar o fim no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mais ambicioso projeto de Lula.
''Muitas pessoas tem dito nos últimos dias, aliás o próprio presidente do partido de oposição disse que acabaria com o PAC porque o PAC não existe e ele acabaria com essa história do PAC'', disse a ministra. ''É muito grave'', ela insistiu. ''Porque nós estamos aqui justamente inaugurando uma obra concreta e real que todos vocês sabem que existe e que está aqui ao lado.''
A festa foi a primeira agenda de Dilma em território mineiro e tucano no ano em que pode sair candidata à sucessão do presidente Lula.
Embalada, a ministra falou grosso e insistiu no cerco aos oponentes. ''Vira e mexe querem acabar com algum programa do governo Lula. Em 2006, foi a época que eles queriam acabar com o Bolsa Família. Agora o objetivo é acabar com obras como essa que estamos inaugurando.''
Chamou os adversários para a briga, mas a Aécio dirigiu afagos. ''Os prefeitos aqui de Minas e o governador Aécio Neves tem sido parceiros exemplares e republicanos do governo federal. Conosco eles têm enfrentado esse desafio que é mudar o Brasil. A barragem é uma obra do PAC com uma parceria muito produtiva e muito bem sucedida com o governo de Minas, com o governador Aécio Neves.''
A barragem do rio Setúbal custou R$ 204 milhões aos cofres públicos - R$ 184 milhões da União, R$ 20 milhões do governo estadual.
Dilma se soltou e agradeceu a ''recepção calorosa''. Diante de três mil pessoas, ao lado do presidente Lula que a acompanhava e a deixou à vontade, ela atendeu ao apelo que havia sido feito minutos antes pelo prefeito Marlio Geraldo Costa (PDT), de Jenipapo de Minas, município de 7 mil habitantes, e prometeu imediata liberação de verbas federais para asfaltar dois trechos da BR-367, rodovia que corta parte de Minas e vai até a Bahia.
Não falou em valores, mas jurou que vai cumprir o prometido. Ovacionada, teve seu nome gritado em coro. Lula sorria.
Aécio Neves, do PSDB, governador de Minas e com índices elevados de popularidade por estas bandas, não estava no palanque. Mas era como se estivesse, tantas foram as vezes que a ministra e o presidente citaram seu nome amavelmente, o elogiaram e lhe desejaram um governo cheio de realizações, sucesso e ''com muitas obras inauguradas''.
Lula contou ter recebido segunda-feira carta de Aécio.
Nela, o governador justificava sua ausência no evento por causa de compromisso ''em outro lugar''.
Depois do discurso de Dilma, foi a vez de Lula assumir o microfone. Inicialmente, o presidente falou da carta que Aécio mandou. ''É bom reconhecer que nesses 7 anos de governo ele (Aécio) esteve em todas as obras que eu vim inaugurar em parceria com o Estado de Minas'', ressaltou.
Anunciou a estratégia para o ano eleitoral, que inclui maratona de viagens a Minas, sob forte domínio tucano. ''Eu disse para o Geddel (Vieira de Lima, ministro da Integração) que nesses primeiros três meses de 2010 vamos precisar visitar muito para Minas. Vamos precisar pegar todas as obras que têm aqui, e são muitas, para que a gente possa inaugurar tudo porque a partir de abril o Geddel já não estará mais no governo, a Dilma já não estará mais no governo. E quem for candidato não pode nem subir no palanque comigo. Então, é importante que a gente inaugure o máximo de obras possível para que a gente possa mostrar quem foram as pessoas que ajudaram a fazer as coisas nesse País.''
Jurou que, quando se trata de investimentos, torce até para quem não é do seu PT. ''Eu fico sempre torcendo para que, seja um prefeito do DEM, do PSB, do PSDB, do PMDB, do PFL, de qualquer partido político, seja o governador Aécio, Deus queira que ele inaugure cada dia uma obra.''

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