Dilma admite erros e diz que crise exige 'remédio amargo'
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segunda-feira, 07 de setembro de 2015
Ana Fernandes e Gustavo Porto <br>Agência Estado 
São Paulo - Em vídeo postado pelas redes sociais, como estratégia para evitar os panelaços, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso de mea-culpa, com reconhecimento da gravidade da crise, e ao mesmo tempo já colocando uma argumentação de união e tolerância para fazer a "travessia". "Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente", diz a presidente, vestida com um terno azul claro e com um quadro em tons azuis ao fundo. "As dificuldades são nossas e são superáveis. O que eu quero dizer, com toda franqueza, é que estamos enfrentando os desafios, essas dificuldades, e que vamos fazer essa travessia."
A presidente lembra que há dificuldades na economia pelo mundo, mas admite também que a crise é consequência da estratégia do governo brasileiro nos últimos anos. "As dificuldades e desafios resultam de longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Agora temos de reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas."
Dilma afirma que a situação exige "remédios amargos", mas "indispensáveis". "As medidas que estamos adotando são necessárias para botar a casa em ordem, reduzir a inflação por exemplo", reforça. E, em diversos momentos, destaca que a saída é a união do povo. "O esforço de todos nós é que vai nos levar a superar esse momento", diz.
Em dia de novos protestos contra seu governo, tanto de movimentos pró-impeachment, como de movimentos sociais que criticam o ajuste fiscal com cortes a programas de moradias, Dilma apareceu no vídeo que não tem vermelho em nenhum ponto, afastando a associação com o PT. Em sua fala, Dilma se coloca como a liderança adequada para conduzir o País na saída da crise. "Me sinto preparada para conduzir o Brasil no caminho de um novo ciclo de crescimento, ampliando as oportunidades para nosso povo subir na vida, com mais e melhores empregos", afirma.
A presidente reitera as conquistas dos últimos 12 anos, sem contudo citar sua legenda. Lembra que milhões foram tirados da miséria e alçados à classe média, mas lembra que ainda há muito a se fazer, por exemplo na educação, e que isso passa por correções na economia. Mas frisa que não abrirá mão da "alma e do caráter" de seu governo, que é gerar oportunidades via programas sociais.
Dilma destacou a celebração da Independência do Brasil e, com o gancho, elogiou a capacidade do brasileiro de "lutar e conviver com a diversidade, tolerante em face às diferenças e respeitoso na defesa de ideias". A fala funciona como uma vacina contra manifestações de volta à ditadura militar que, apesar de minoritárias pelo País, ganharam destaque nos desfiles de ontem. Segundo a presidente, a população deve permanecer "firme na defesa da maior conquista alcançada e pela qual devemos zelar permanentemente: a democracia e a adoção do voto popular" - referência também à legitimidade de seu mandato, conquistado nas urnas.


