Dilma aceita depor em comissão do Senado
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sexta-feira, 11 de abril de 2008
Eugênia Lopes,<br>Cida Fontes e<br>Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Brasília - Em uma ação política combinada, o governo decidiu ontem que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vai mesmo depor na Comissão de Infra-Estrutura do Senado e responderá a perguntas sobre os cartões corporativos e o dossiê vazado do Palácio do Planalto com dados sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No mesmo instante em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmava em Haia, na Holanda, que Dilma deveria comparecer à comissão, a ministra divulgava em Brasília um ofício garantindo a presença e dizendo que falaria ''com prazer'' sobre a usina de Belo Monte e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É provável que a audiência aconteça na quarta-feira.
A decisão de mandar a ministra à Comissão de Infra-Estrutura do Senado faz parte da estratégia do governo para dar sobrevida à CPI Mista dos Cartões Corporativos e, ao mesmo tempo, tentar sepultar a comissão de inquérito integrada exclusivamente por senadores. O Planalto espera que a ida de Dilma ao Congresso satisfaça a oposição, que, em troca, desistiria de abrir uma nova CPI.
Apesar de o ofício da ministra falar ''do prazer'' em tratar apenas dos assuntos oficiais do requerimento, o Planalto considera ''inevitável'' que os parlamentares a questionem sobre qualquer outro assunto e montou uma estratégia para tirar proveito político da decisão. ''Não posso impedir nenhum senador de falar sobre dossiê'', observou o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), presidente da Comissão de Infra-Estrutura.
Questionado sobre esse risco, Lula disse que a oposição não está amordaçada: ''Quem pergunta o que quer ouve o que não quer''.


