Brasília - O novo depoimento do empresário Marcos Valério também enfraquece a defesa do ex-deputado Valdemar Costa Neto, responsável pela distribuição do dinheiro dentro do PL. Segundo Valério, a corretora Guaranhuns, que intermediou repasses para o partido, foi indicada pelo tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, porque ''era de confiança'' de Valdemar Costa Neto.
O empresário afirmou que os R$ 6 milhões depositados na corretora foram encaminhados a pessoas indicadas por Costa Neto ou Lamas. O ex-deputado garantira na CPI dos Correios que todo o dinheiro recebido fora canalizado para o pagamento de dívidas com fornecedores da campanha de Lula em 2002.
Otimismo - Dentro do processo de cassação dos mandatos por suposta quebra de decoro parlamentar, tanto Janene como Vadão terão mais dificuldades agora para escapar da punição. Na avaliação de integrantes da CPI, as novas revelações apresentadas por Valério aumentam o vínculo dos dois parlamentares com o suposto esquema de irregularidades.
Na prática, os dois parlamentares já vêm mantendo intensos contatos políticos para tentar impedir a perda de mandato. Como o voto é secreto, ambos apostam que poderão ser absolvidos pelos colegas da Câmara. Janene não disfarçava, inclusive, seu otimismo. Nos últimos dias, tem andado pelos corredores da Casa cantarolando, ironicamente, o ''tema da CPI'', paródia feita pelo Programa do Jô.
Agora, com os novos fatos apresentados por Valério, ambos poderão acabar optando pela renúncia ao mandato para escapar à cassação. Os dois têm prazo apenas até terça-feira, dia 13 para renunciar e não se tornar inelegíveis em caso de uma posterior cassação. Depois dessa data, o corregedor da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), terá enviado todos os processos de cassação para o Conselho de Ética da Casa e, regimentalmente, a renúncia passa a ser proibida.
Janene preferiu não comentar as acusações de Valério. A reportagem deixou recado para o deputado Vadão Gomes no gabinete dele em Brasília e no frigorífico que pertence ao parlamentar, em São Paulo. As secretárias disseram que ele está em viagem e incomunicável. (AE)

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