Dificuldade na hora de escolher o vice
Brasília - Jovem e herdeiro político de uma lenda da esquerda - o ex-governador Miguel Arraes -, o deputado Eduardo Campos (PSB-PE) é um dos nomes prediletos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para completar sua chapa à reeleição.
O interesse do Palácio do Planalto por Campos, de acordo com um interlocutor do presidente, vai além do bom trânsito e do charme político do jovem nordestino, que deixou no Ministério da Ciência e Tecnologia a imagem de um líder competente.
A avaliação entre seus assessores é de que Lula precisa aliar-se a um partido da esquerda para ampliar suas chances e enfrentar as críticas ao conservadorismo da política econômica do governo, traduzido pelas altas taxas de juros.
A escolha do Planalto também leva em conta a crise política que debilitou o PT e comprometeu o PP, o PTB e o PL com as denúncias do mensalão. Neste cenário, o leque de opções à disposição de Lula para a montagem da chapa com seus aliados se estreitou.
A transferência do vice-presidente José Alencar do PL para o desconhecido PMR também deixou claro que a parceria vitoriosa de 2002 não se repetirá.
A dificuldade de composição com o PMDB ficou evidente na semana passada, com o registro oficial festivo da pré-candidatura a presidente do ex-governador Anthony Garotinho. Até os dois maiores aliados do Planalto na cúpula peemedebista - o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o ex-presidente e senador José Sarney (AP) - reconhecem o avanço da tese da candidatura própria nas várias alas do partido.
''Eu não serei vice de ninguém. Tenho senso do ridículo'', reage Renan. ''Ninguém me fará desistir da candidatura própria, que a cada dia ganha mais força no PMDB'', afirmou.
A candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, é outra opção posta na mesa de negociação do PMDB, partido pelo qual o ministro já foi deputado. Não é por acaso. Segundo um líder da ala governista do partido, Jobim tem um ''perfil valioso'' para qualquer cenário. Tanto poderia encabeçar uma chapa, quanto reforçar a reeleição de Lula, no posto de vice.(C.S.)





