Diego comanda campanha franciscana
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de setembro de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
É de uma garagem localizada no centro de Curitiba, com pouco mais de 5 metros quadrados, que o candidato do PSTU a prefeito da capital, Diego de Sturdze, comanda sua franciscana campanha. O aluguel do comitê improvisado é R$ 200. Um dos luxos no exíguo orçamento do partido. Os recursos são tão parcos que o PSTU sequer conseguiu gravar mais do que três programas diferentes para o horário gratuito na TV.
E, para piorar, por uma decisão da Justiça Eleitoral, o partido de Diego foi obrigado a ficar praticamente duas semanas sem aparecer na telinha. Mesmo com tantas dificuldades, Diego assegura que o PSTU está conseguindo um crescimento orgânico que supera suas expectativas. Dobramos o número de militantes, comemora.
Criado a partir da radical ala Convergência Socialista, que foi expulsa do PT, o PSTU tem no ex-líder estudantil Lindemberg Farias seu principal expoente nacional. O ex-deputado federal foi eleito graças aos cara-pintadas, que ajudaram a engrossar o coro contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello.
E são os estudantes, os conselhos populares, os trabalhadores, as principais bandeiras do partido para a eleição. A saída não são as eleições, um jogo de cartas marcadas, critica Diego. No discurso do PSTU também brota a crítica. E com uma certa dose de mágoa do PT, apesar de Diego garantir que melhorou a relação com o partido durante essa campanha.
O mais grave é que, nacionalmente, em nome de uma estratégia eleitoral, o PT e outros partidos da esquerda congelaram o processo de lutas, discursa. Na opinião do candidato do PSTU, esse equívoco pode fazer com que a oposição não consiga obter os resultados esperados nas urnas.
Diego admite que o PSTU está disputando a eleição de olho em 2002, a exemplo da grande maioria dos partidos. Ele acha que em 2002 vai ser uma eleição presidencial diferente. Em 1998 todo mundo sabia que FHC iria ganhar. A próxima eleição vai ter uma disputa de poder entre as grandes facções da burguesia e, quem sabe, uma disputa do PT.
O candidato frisa, porém, que o PSTU não considera que a saída para o povo brasileiro sejam as eleições. Nas últimas décadas, as mudanças importantes no País a queda do regime militar e a do Collor não se deram pelo voto. Diego diz que nas poucas vezes que um candidato de esquerda ganhou as eleições, o que se viu foi ele se adaptando ao esquemão do poder.
Por isso, explica que o centro de atenção do partido é a construção da luta dos trabalhadores e da juventude. Seria muito importante que todo esse processo de luta culminasse com uma candidatura de esquerda que defendesse o trabalhador. O problema é que o PT não está apontando para esse caminho. As amplas coligações para aumentar as chances de vitória são vistas com cuidado por ele: Embora sendo oposição ao atual governo federal, não significa que defendam melhorias para a classe trabalhadora, afirma Diego.
Não resolve fazer alianças


