É de uma garagem localizada no centro de Curitiba, com pouco mais de 5 metros quadrados, que o candidato do PSTU a prefeito da capital, Diego de Sturdze, comanda sua franciscana campanha. O aluguel do comitê improvisado é R$ 200. Um dos luxos no exíguo orçamento do partido. Os recursos são tão parcos que o PSTU sequer conseguiu gravar mais do que três programas diferentes para o horário gratuito na TV.
E, para piorar, por uma decisão da Justiça Eleitoral, o partido de Diego foi obrigado a ficar praticamente duas semanas sem aparecer na telinha. Mesmo com tantas dificuldades, Diego assegura que o PSTU está conseguindo um ‘‘crescimento orgânico’’ que supera suas expectativas. ‘‘Dobramos o número de militantes’’, comemora.
Criado a partir da radical ala Convergência Socialista, que foi expulsa do PT, o PSTU tem no ex-líder estudantil Lindemberg Farias seu principal expoente nacional. O ex-deputado federal foi eleito graças aos cara-pintadas, que ajudaram a engrossar o coro contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello.
E são os estudantes, os conselhos populares, ‘‘os trabalhadores’’, as principais bandeiras do partido para a eleição. ‘‘A saída não são as eleições, um jogo de cartas marcadas’’, critica Diego. No discurso do PSTU também brota a crítica. E com uma certa dose de mágoa do PT, apesar de Diego garantir que ‘‘melhorou a relação’’ com o partido durante essa campanha.
‘‘O mais grave é que, nacionalmente, em nome de uma estratégia eleitoral, o PT e outros partidos da esquerda congelaram o processo de lutas’’, discursa. Na opinião do candidato do PSTU, esse ‘‘equívoco’’ pode fazer com que a oposição não consiga obter os resultados esperados nas urnas.
Diego admite que o PSTU está disputando a eleição de olho em 2002, a exemplo da ‘‘grande maioria dos partidos’’. Ele acha que em 2002 vai ser uma eleição presidencial diferente. ‘‘Em 1998 todo mundo sabia que FHC iria ganhar. A próxima eleição vai ter uma disputa de poder entre as grandes facções da burguesia e, quem sabe, uma disputa do PT.’’
O candidato frisa, porém, que o PSTU não considera que a saída para o povo brasileiro sejam as eleições. ‘‘Nas últimas décadas, as mudanças importantes no País – a queda do regime militar e a do Collor – não se deram pelo voto.’’ Diego diz que nas poucas vezes que um candidato de esquerda ganhou as eleições, o que se viu foi ele se adaptando ‘‘ao esquemão do poder’’.
Por isso, explica que o centro de atenção do partido é a construção da luta dos trabalhadores e da juventude. ‘‘Seria muito importante que todo esse processo de luta culminasse com uma candidatura de esquerda que defendesse o trabalhador. O problema é que o PT não está apontando para esse caminho.’’ As amplas coligações para aumentar as chances de vitória são vistas com cuidado por ele: ‘‘Embora sendo oposição ao atual governo federal, não significa que defendam melhorias para a classe trabalhadora’’, afirma Diego.

‘‘Não resolve fazer alianças’’

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