Curitiba - A integração do transporte público de Curitiba com a região metropolitana, iniciado na década de 1980, e utilizado pelo governador Beto Richa (PSDB) como modelo de organização para as demais cidades interessadas em subsídios do Estado, registrou queda no número de passageiros ao longo desses 30 anos. Em 1989, o sistema tinha 27 milhões de usuários pagantes, número superior aos 25 milhões de passageiros registrados atualmente. O dado é resultado de levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos),
''A população aumentou e o número de usuários caiu'', diz o economista Sandro Silva, do escritório do Dieese no Paraná, sinalizando um paradoxo. Ele atesta que os altos e baixos da economia brasileira durante o período, da hiperinflação nos governos Sarney e Collor à recuperação do poder aquisitivo dos trabalhadores com FHC e Lula, não seriam suficientes para entender o fenômeno. Parte da explicação para a queda na utilização do transporte integrado da Grande Curitiba (15 municípios) estaria escondida dentro do próprio sistema.
Com dados coletados pelo Dieese em diferentes ocasiões nos últimos 12 anos, Silva reclama da falta de transparência do sistema e de mecanismos para que a população acompanhe coisas simples, como aquilo que influencia na definição da tarifa. ''De julho de 1994 até março de 2012, quando houve o último aumento dos ônibus em Curitiba, a tarifa subiu de R$ 0,40 para R$ 2,60. Comparando o aumento com a inflação do período, dá para afirmar que após o plano real o preço da condução subiu 58% acima da inflação'', explica Silva.
''O cálculo da tarifa utiliza metodologia dos anos 1980. Você não tem atualização dos coeficientes técnicos de consumo, nem acesso às informações básicas. A Urbs (empresa que administra o sistema, ligada à prefeitura) divulgou os dados de dezembro de 2012, mas não todo o histórico das operações'', reclama o economista. ''O item referente à manutenção, chamado de peças e acessórios, por exemplo, não é preciso. A prefeitura repassa anualmente de 8% a 10% do valor de veículo para as empresas'', revela Silva.
Gustavo Fruet (PDT), ao assumir a Prefeitura de Curitiba, trocou o presidente da Urbs e prometeu a criação de uma comissão para rever o preço da tarifa. ''As informações que a equipe tem até o momento são oriundas dos documentos publicados pelas empresas de ônibus, o que torna necessário obter outros dados'', pontuou o político, que não descartou a realização de uma auditoria no sistema. Acostumado a esse ''empurra-empurra'', o economista do Dieese queixou-se do recente debate sobre a manutenção do subsídio ao sistema. ''Discutem o dinheiro, mas não o sistema de transporte. O trânsito está cada vez pior. Tem que rever a metodologia do cálculo da tarifa e criar indicadores de qualidade'', argumentou Silva.
Enquanto Fruet admite um possível aumento da tarifa já no começo do seu mandato, que ''não será o valor apresentado pelo sindicato das empresas'', de R$ 3,10, o técnico do Dieese lembra que na capital do Paraná todas as isenções de (idosos, carteiros, policiais, etc.) são rateadas entre os próprios usuários do transporte público. ''Não tem subsídio para essa utilização, as isenções entram no cálculo da tarifa'', comentou, listando outro ponto polêmico do sistema utilizado pela capital para organizar o transporte público.

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