Um verdadeiro dicionário da repressão, que explicava aos policiais brasileiros de A a Z como reconhecer os subversivos e que atitudes políticas e humanas eram dignas ou reprováveis, será reeditado este ano, como testemunho escrito da época da ditadura militar (1964-85).
O livro ‘‘Segurança nacional e subversão’’, editado em 1977 para ser distribuído entre os policiais, foi escondido durante anos nas estantes dos arquivos do Estado e agora foi resgatado pela Fundação de Amparo à Investigação do Rio de Janeiro.
Segundo declararam historiadores à imprensa ontem, neste livro se resume o pensamento da ditadura: ‘‘todo o desprezo à democracia’’ e todo tipo de repressão é justificada para combater aqueles cidadãos qualificados de subversivos.
Para as forças de segurança daquela época, o comunismo é a ‘‘destruição dos valores morais e espirituais, por meio da proclamação do amor livre, da exploração do sexo e da falta de respeito aos pais e idosos’’.
Os direitos humanos são ‘‘palavras usuais em motins da esquerda subversiva, utilizada exclusivamente em favor de companheiros presos com o objetivo de atrair a compaixão e a simpatia popular’’. A ditadura é apenas ‘‘uma palavra que os comunistas utilizam para atacar o governo que não tolera a subversão’’, segundo o livro.
O autor do dicionário, Zonildo Castello Branco, um delegado aposentado, assegurou ao jornal O Globo, que a função do texto era ‘‘ajudar os policiais no cumprimento de suas funções’’.
Para representantes de organizações de direitos humanos, o livro insta os policiais a serem violentos e além disso, o nome de Castello Branco, autor, aparece em casos de repressão contra detratores do regime militar.

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