Dicionário que instruía policiais durante ditadura será reeditado
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de abril de 2001
France PresseDo Rio de Janeiro 
Um verdadeiro dicionário da repressão, que explicava aos policiais brasileiros de A a Z como reconhecer os subversivos e que atitudes políticas e humanas eram dignas ou reprováveis, será reeditado este ano, como testemunho escrito da época da ditadura militar (1964-85).
O livro Segurança nacional e subversão, editado em 1977 para ser distribuído entre os policiais, foi escondido durante anos nas estantes dos arquivos do Estado e agora foi resgatado pela Fundação de Amparo à Investigação do Rio de Janeiro.
Segundo declararam historiadores à imprensa ontem, neste livro se resume o pensamento da ditadura: todo o desprezo à democracia e todo tipo de repressão é justificada para combater aqueles cidadãos qualificados de subversivos.
Para as forças de segurança daquela época, o comunismo é a destruição dos valores morais e espirituais, por meio da proclamação do amor livre, da exploração do sexo e da falta de respeito aos pais e idosos.
Os direitos humanos são palavras usuais em motins da esquerda subversiva, utilizada exclusivamente em favor de companheiros presos com o objetivo de atrair a compaixão e a simpatia popular. A ditadura é apenas uma palavra que os comunistas utilizam para atacar o governo que não tolera a subversão, segundo o livro.
O autor do dicionário, Zonildo Castello Branco, um delegado aposentado, assegurou ao jornal O Globo, que a função do texto era ajudar os policiais no cumprimento de suas funções.
Para representantes de organizações de direitos humanos, o livro insta os policiais a serem violentos e além disso, o nome de Castello Branco, autor, aparece em casos de repressão contra detratores do regime militar.


