Hugo Marques
Agência Estado
De Brasília
O ministro da Justiça, José Carlos Dias, comparou o problema da violência no País à administração de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para onde são levados os doentes em estado grave, e propôs a criação de um ‘‘pacto’’ entre os Três Poderes para combater o crime organizado. O ministro pediu ontem mais dinheiro ao presidente Fernando Henrique Cardoso para a área de segurança pública. Dias prometeu aumentar o número de policiais federais que investigam o assassinato da prefeita de Novo Mundo (MS), Dorcelina Folador.
O ministro antecipou algumas medidas que pretende tomar para coibir a violência no País. Além de pedir mais dinheiro ao presidente Fernando Henrique, que anteontem propôs uma união contra o crime organizado, José Carlos Dias pretende transformar a Academia Nacional de Polícia, da Polícia Federal, em um centro de treinamento para todos os policiais militares e civis do País. O centro receberia ainda policiais da África e da América Latina. O ministro também vai procurar a CPI do Narcotráfico para trocar informações. ‘‘O presidente está decidido a lutar contra a impunidade’’, disse o ministro.
Dias afirmou que, antes de assumir o cargo de ministro da Justiça, não pensava que fosse ‘‘administrar uma UTI’’ na luta contra o crime organizado. O ministro criticou principalmente o envolvimento de policiais militares com o crime organizado e ainda a falta de preparo de todas as polícias estaduais do País. ‘‘A coisa está feia’’, disse.
O ministro disse que é fundamental solidificar um ‘‘pacto’’ para unir os Três Poderes no combate ao crime organizado. ‘‘Temos que centrar força para salvar a democracia’’, disse.
Apesar das críticas que tem feito às polícias estaduais, o ministro evitou comentar a falta de iniciativas de alguns Estados em não combater o crime organizado com mais ênfase. ‘‘Não estou aqui para fazer crítica a este ou aquele partido’’, disse. O ministro afirmou que em vários casos, como as constantes rebeliões na Febem de São Paulo, a culpa é de toda a sociedade, que ‘‘deixa de cobrar’’ soluções.
O ministro apontou o dedo para o deputado José Genoino (PT-SP), que estava em seu gabinete, e o definiu como um bom exemplo de pessoa que cobra soluções para os problemas sociais. Além de Genoino, José Carlos Dias recebeu ontem vários parlamentares de oposição, entre eles o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o deputado José Dirceu (PT-SP), presidente do PT, que foram cobrar maior participação da Polícia Federal na investigação da morte de Dorcelina Folador.
O ministro da Justiça estará hoje no Acre com o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho. Os três terão reunião com o governador Jorge Viana, para acompanhar o andamento das investigações sobre o grupo narcotraficantes e de extermínio, que envolve o ex-deputado Hildebrando Pascoal. Dias afirmou que no próximo dia 16 vai sugerir a todos os secretários de segurança do País um conjunto de diretrizes para integrar as polícias estaduais com a PF.Ministro da Justiça diz que problema é comparável a uma UTI, pede mais recursos e propõe combate conjunto dos Três Poderes
Arquivo FolhaDRAMAMinistro José Carlos Dias: ‘‘A coisa está feia’’ e é necessário que todos se juntem para combater fortemente o crescimento do crime e a impunidade no País

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