Dias parados vão ser descontados, diz Sella
O secretário de Fazenda de Londrina, Wilson Sella, afirmou ontem que não há possibilidade de não descontar os dias parados dos servidores em greve há 25 dias. A negociação deste item estava prevista no acordo intermediado pela Câmara e assinado pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) e pelo presidente do Sindicato dos Servidores (Sindserv), Marcelo Urbaneja. O acordo foi rejeitado em assembléia realizada dia 28.
''Tem duas coisas que não temos como negociar. Hoje não é possível dar nenhum reajuste e não é possível não descontar os dias parados. A cidade não aceita. Não houve trabalho'', disse Sella. ''Podemos negociar o formato do desconto, se vai ser em uma vez, se será compensado. Agora não trabalhar sem ônus não tem lógica.''
Sella reafirmou que a prefeitura não tem condições de dar os 21% de reposição salarial reivindicados pelo sindicato. ''O incremento na receita corrente líquida teria que ser em torno de 30% para poder pagar os 21%. E eu não sei quanto vai crescer a economia. Trabalha-se em torno da economia crescer 5%'', afirmou.
Conforme o secretário, desde setembro do ano passado, a administração municipal já sabia que não seria possível conceder reposição aos servidores em fevereiro, mês da data-base da categoria. ''Durante o processo eleitoral percebemos que o estrago feito durante a campanha, quando houve uma aposta no outro candidato que levou as pessoas ao imaginário de que não haveria cobrança mais. Deixamos de arrecadar de R$ 20 milhões.''
Sella ainda negou que a reposição salarial tenha sido uma promessa de campanha do prefeito. ''Nunca houve promessa de reajuste salarial irresponsavelmente. Em 2001 não houve reajuste. Em 2002 houve o abono de R$ 70 mais o prêmio de assiduidade de R$ 45. Em 2003, tivemos 10% mais 5%, e em 2004, demos 10% de reajuste. Foi dado o reajuste porque tínhamos a certeza de que haveria receita'', justificou.
De acordo com Urbaneja, a reposição dos salários foi prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias, de julho de 2004. Urbaneja acredita que os servidores poderão aceitar a proposta intermediada pela Câmara, caso sejam feitos ajustes negociados com o próprio prefeito. ''Se a gente retomar a proposta por exemplo com um abono, tira o servidor do sufoco e tira a administração dos encargos sociais'', sugeriu. (C.O.)





