Os irmãos Alvaro e Osmar Dias esperam que a reunião do diretório nacional do PSDB, marcado para esta terça-feira em Brasília, conte com a convocação de todos os integrantes do diretório nacional para que eles possam avaliar a extensão do apoio da maioria do partido contra o presidente nacional da sigla, deputado José Anibal (SP). O presidente quer expulsá-los se eles não retirarem a assinatura do pedido de instalação, no Senado, da CPI da Corrupção
Alvaro pensa em lutar para continuar no reduto tucano. ‘‘Temos o direito de permanecer no partido’’, afirmou, declarando que só vai discutir mudança de sigla depois da decisão de terça-feira. Por sua vez, Osmar deixou claro que pretende mudar de legenda, e que não vai recuar: ‘‘A população inteira quer a investigação (da corrupção no País). Nem sinto a pressão (de Anibal) porque nem penso em tirar a assinatura. O povo não aceitaria que eu agisse desta forma’’, afirmou. ‘‘Primeiro quero ver a cara do PSDB na terça. Se esta decisão se concretizar, eu ganho o direito de conversar com outros partidos. O povo não me elegeu para ser vaca de presépio e dizer amém ao presidente. Por isso temos o apoio da população’’, disse Osmar.
Os senadores apresentaram suas intenções ontem em Foz do Iguaçu, durante um ciclo de debates promovido pelo diretório estadual do PSDB. O objetivo do encontro era ouvir idéias e sugestões dos representantes de cada região do Estado, mas a discussão ficou mesmo no impasse entre os irmãos Dias e a direção nacional do partido.
‘‘Mesmo que sejamos expulsos, deportados, trucidados, não há a menor hipótese de tirarmos as assinaturas. Isso foi uma decisão madura, responsável e refletida por nós’’, resumiu Alvaro, dizendo ainda que ‘‘o governo adota uma postura contemplativa com relação à corrupção’’. Ele comentou ainda que espera a confirmação oficial do apoio dado pela maioria do partido. ‘‘Eu quero ouvir a posição majoritária antes de pensar em mudar de partido.’’
Osmar confirmou a manutenção da assinatura no pedido de abertura da CPI, mas destacou que possui uma visão diferente do irmão. ‘‘O Alvaro insiste que devemos lutar para nos mantermos no PSDB. Eu já analiso a hipótese de sair porque estou muito decepcionado com o partido’’, comentou, demonstrando interesse de ingressar no PMDB. ‘‘Estou propenço a discutir um projeto com o PMDB para 2002, mas antes vou aguardar a decisão do partido na terça’’, simplificou.
Sobre a decisão dos deputados federais do Paraná de abandonarem o PSDB junto com eles, os irmãos Dias disseram que a decisão deve ser pessoal. ‘‘Eu não vou pedir isso, mas acredito que muita gente que veio conosco vai sair’’, disse Osmar.
Osmar aproveitou o encontro para tocar em outro assunto polêmico no Paraná. Ele disse que ‘‘vender a Copel é uma burrice sem precedentes’’. O senador argumentou que a crise de energia no Brasil poderia valorizar a companhia muitas vezes. ‘‘E mais: não podemos admitir que a grande parte do dinheiro da venda vá para o Itaú, já que o governo do Estado construiu uma dívida de R$ 800 milhões. Vender patrimônio para pagar dívida é agredir o povo’’, afirmou.

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