Dias esperam apoio da maioria dos tucanos
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sábado, 16 de junho de 2001
Emerson DiasDe Foz do Iguaçu 
Os irmãos Alvaro e Osmar Dias esperam que a reunião do diretório nacional do PSDB, marcado para esta terça-feira em Brasília, conte com a convocação de todos os integrantes do diretório nacional para que eles possam avaliar a extensão do apoio da maioria do partido contra o presidente nacional da sigla, deputado José Anibal (SP). O presidente quer expulsá-los se eles não retirarem a assinatura do pedido de instalação, no Senado, da CPI da Corrupção
Alvaro pensa em lutar para continuar no reduto tucano. Temos o direito de permanecer no partido, afirmou, declarando que só vai discutir mudança de sigla depois da decisão de terça-feira. Por sua vez, Osmar deixou claro que pretende mudar de legenda, e que não vai recuar: A população inteira quer a investigação (da corrupção no País). Nem sinto a pressão (de Anibal) porque nem penso em tirar a assinatura. O povo não aceitaria que eu agisse desta forma, afirmou. Primeiro quero ver a cara do PSDB na terça. Se esta decisão se concretizar, eu ganho o direito de conversar com outros partidos. O povo não me elegeu para ser vaca de presépio e dizer amém ao presidente. Por isso temos o apoio da população, disse Osmar.
Os senadores apresentaram suas intenções ontem em Foz do Iguaçu, durante um ciclo de debates promovido pelo diretório estadual do PSDB. O objetivo do encontro era ouvir idéias e sugestões dos representantes de cada região do Estado, mas a discussão ficou mesmo no impasse entre os irmãos Dias e a direção nacional do partido.
Mesmo que sejamos expulsos, deportados, trucidados, não há a menor hipótese de tirarmos as assinaturas. Isso foi uma decisão madura, responsável e refletida por nós, resumiu Alvaro, dizendo ainda que o governo adota uma postura contemplativa com relação à corrupção. Ele comentou ainda que espera a confirmação oficial do apoio dado pela maioria do partido. Eu quero ouvir a posição majoritária antes de pensar em mudar de partido.
Osmar confirmou a manutenção da assinatura no pedido de abertura da CPI, mas destacou que possui uma visão diferente do irmão. O Alvaro insiste que devemos lutar para nos mantermos no PSDB. Eu já analiso a hipótese de sair porque estou muito decepcionado com o partido, comentou, demonstrando interesse de ingressar no PMDB. Estou propenço a discutir um projeto com o PMDB para 2002, mas antes vou aguardar a decisão do partido na terça, simplificou.
Sobre a decisão dos deputados federais do Paraná de abandonarem o PSDB junto com eles, os irmãos Dias disseram que a decisão deve ser pessoal. Eu não vou pedir isso, mas acredito que muita gente que veio conosco vai sair, disse Osmar.
Osmar aproveitou o encontro para tocar em outro assunto polêmico no Paraná. Ele disse que vender a Copel é uma burrice sem precedentes. O senador argumentou que a crise de energia no Brasil poderia valorizar a companhia muitas vezes. E mais: não podemos admitir que a grande parte do dinheiro da venda vá para o Itaú, já que o governo do Estado construiu uma dívida de R$ 800 milhões. Vender patrimônio para pagar dívida é agredir o povo, afirmou.


