Colisão com secretário Antidrogas motivou decisão de FHC que pode ocasionar também a saída do chefe da Polícia Federal
Arquivo FolhaNO ATOGregori: nomeação foi efetivada ontem mesmo para o cargo, depois da crise provocada pela declaração de Dias contra Maierovitch, por este anunciar operações contra traficantes
Edson Luiz
e Tania Monteiro
Agência Estado
De Brasília
O ministro da justiça, José Carlos Dias, foi demitido ontem pelo presidente Fernando Henrique. O motivo foi uma nota divulgada na segunda-feira pelo ministro, na qual criticava o secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, por ter anunciado previamente uma operação de combate ao narcotráfico. O secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, é o novo ministro da Justiça. Dias foi o segundo titular da Pasta a cair por causa de desavenças com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso. O primeiro foi Renan Calheiros, em maio de 99.
Na hora do almoço, o general Cardoso esteve com FHC no Planalto. Pouco antes, José Carlos Dias condecorava militares com a medalha dos Direitos Humanos, mas se recusou a falar sobre a nota divulgada contra Maierovitch, homem de confiança do general. ‘‘Tudo que tinha para ser dito já está escrito’’, disse, acrescentando que depois do check-up a que havia sido submetido no fim de semana em São Paulo, recebeu ordens médicas para ficar longe de jornalistas e trabalhar menos.
A demissão de Dias começou a ser arquitetada no início da tarde, depois que ele se reuniu por 15 minutos com o diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho. No encontro, mostrou estatísticas do trabalho da PF no combate ao narcotráfico, ressaltando sempre que tudo fora feito em sigilo, uma alusão ao desentendimento que tinha tido com Maierovitch, que anunciou uma operação que o Brasil iria fazer em conjunto com a Bolívia.
A escolha de Gregori foi feita depois da conversa de Cardoso com FHC. No final da tarde, o porta-voz Georges LamaziSre anunciou oficialmente a saída de José Carlos Dias e a nomeação e efetivação de Gregori.
Dias foi o quarto ministro da Justiça de FHC, e o segundo a cair por causa de atritos com o general Cardoso. Ele foi tachado como o ministro que mais fez lobby para a PF. Antes de sair, ainda na segunda-feira, depois da divulgação da nota, Dias conversou com o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, que resolveu dar um basta na situação.
Com a saída de Dias, o diretor-geral da PF, Monteiro Filho, também deverá pedir demissão. Ontem pela manhã, depois de saber da repercussão do caso, ele chegou a ligar para o Ministério da Justiça para saber se poderia entregar sua carta de demissão, acompanhando o ministro.

mockup