O senador Osmar Dias (PSDB) disse ontem, em Londrina, que se o governador Jaime Lerner (PFL) não brigar, o Paraná pode ficar sem um ministério. ‘‘O maior peso de decisão de um estado não é o senador nem o deputado e sim o governador. Se o governo não brigar junto com os partidos de sua base aliada, se não unir forças, não tem como garantir’’, afirmou.
Dias disse que assim como o Paraná, vários outros estados também reivindicam um ministério. Para o senador, o Estado merece ter um ministro não porque deu uma votação expressiva ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e sim por sua importância econômica. ‘‘É importante ocupar o espaço político para compensar a importância econômica’’, argumentou. FHC obteve no Estado um dos apoios mais importantes à sua reeleição: 59,25% dos paranaenses votaram no presidente - 2,4 milhões de votos válidos -, enquanto o petista Luiz Inácio Lula da Silva teve menos da metade - 1,1 milhão ou 27,7% dos votos válidos.
O senador, que é irmão de Álvaro, eleito também para o Senado, não defendeu o nome do tucano para ministério. ‘‘Se colocar nome na frente aí desune’’, argumentou. Ele pregou a defesa ‘‘pelo Paranᒒ no movimento pela obtenção do ministério. Álvaro propôs a FHC a criação de um ministério da Habitação quando o presidente esteve em Maringá durante a campanha eleitoral. O senador eleito admitiu que gostaria de ocupar a vaga, principalmente porque prefere cargos executivos a legislativos.
Ontem, Osmar Dias disse que quem deve definir nomes é o presidente Fernando Henrique. Segundo ele, as conversas sobre ministérios estão sendo feitas nos bastidores. ‘‘Não ficaria bem essa discussão sobre composição de ministério no momento em que o País debate o ajuste fiscal’’, admitiu. Álvaro Dias está nos Estados Unidos e só deve voltar em dezembro.
Pressão, não O deputado federal eleito Rafael Greca (PFL) disse ontem à Folha, por telefone, que a decisão sobre ministério é de competência exclusiva do presidente da República. ‘‘Ninguém pode se propor nem se impor. Essa decisão é uma prerrogativa de quem foi eleito para o cargo de presidente’’, defendeu. Ele acha que ‘‘pega mal’’ as lideranças se oferecerem para ocupar cargos. ‘‘Quando fui prefeito de Curitiba, por exemplo, não escolhi secretários que se ofereceram’’, afirmou.
Apesar disso, garantiu que pretende apoiar ‘‘qualquer tentativa bem colegiada que não é pessoal, nem fulanizada, de exigir a presença do Paraná num ministério’’. ‘‘Tudo a favor do Paraná. As bandeiras paranistas são convenientes, mas não podem ser fulanizadas. Quem dá representatividade na composição de ministério é a representação política ou a consideração do presidente’’, afirmou.
Ele negou que tenha pretensão de ser um dos ministeriáveis. ‘‘Não fiz nenhuma contribuição ao programa do PFL pensando em ser ministro’’, afirmou, referindo-se ao trecho do programa de governo pefelista sobre habitação popular que serviu de base para as diretrizes da campanha do FHC. Greca também não quer ser secretário, apesar de ter revelado à Folha que recebeu convite do governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘O governador me convidou, não aceitei’’, disse Greca, sem dizer qual foi a secretaria.
O deputado eleito garantiu que seu interesse é ir para Brasília. ‘‘Para minha formação política e amadurecimento da minha liderança com uma visão do Brasil’’, argumentou. ‘‘E o povo sinalizou pela estrondosa votação que queria me ver no Parlamento’’. Ele foi o mais votado no Estado e o terceiro no País, com 226.654 votos.Arquivo FolhaCicranoRafael Greca: ‘‘As bandeiras paranistas são convenientes, mas não podem ser fulanizadas’’Patrícia Zanin

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