A lua de mel entre o PT e o PMDB no Paraná está com os dias contados. As duas siglas têm planos próprios para as eleições municipais do ano que vem. Mais especificamente em Curitiba, tanto PT quanto o PMDB querem fazer o sucessor de Cassio Taniguchi (PFL). Dois nomes despontam desde já. O deputado estadual Ângelo Vanhoni é o mais forte dentro do PT. E o presidente estadual do PMDB e deputado federal Gustavo Fruet, do PMDB. Ambos estão pavimentando candidatura e esperam contar com o apoio político do governador Roberto Requião (PMDB). Vanhoni tem a seu favor a eleição de 2002, quando forçou na Capital a realização de um segundo turno. Gustavo tem, como dirigente partidário, a estrutura do PMDB, um dos maiores partidos no Estado, sob o seu comando.


Dilema


Situação delicada mesmo é a de Requião daqui a alguns meses, quando os partidos começarão a discutir de fato as eleições municipais. Vanhoni virou homem de sua confiança e é o líder de seu governo na Assembléia. Gustavo, nada mais nada menos, que o filho de um de seus melhores amigos, Maurício Fruet, morto desde 1998 e com quem Requião construiu sua carreira política.


Ideologia zero


Bem típico da política brasileira, sobretudo a local. Um grupo de deputados, que ainda não sabe para onde vai pender neste governo, pretende montar uma bancada que se diz independente na Assembléia. Com certeza, vão solicitar à mesa-executiva da Casa estrutura e alguns privilégios inerentes às lideranças de oposição e do governo. Afinal, são todos muito independentes.


Ácido


O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, bispo Dom Mauro Morelli, não é fraco. Ele se envolve nas causas sociais mas parece que não perde oportunidade de ser crítico de quem ele acha que se aproveita dessas causas para se autopromover. Foi assim com José Graziano, a quem criticou porque o ministro queria estabelecer uma burocracia para controlar as aplicações dos recursos do programa.


Moleza


Em sua passagem pela Copel, empresa do governo do Estado, que fez uma solenidade para marcar a sua participação no programa Fome Zero, bastante badalado dentro e fora do País, Dom Mauro não deixou de ser ácido. Educado, achou interessante a contribuição da Copel, de arrecadar donativos através das faturas de conta de luz. Mas disse que essa é a coisa mais fácil que a Copel poderia fazer.


Dica


Dom Mauro Morelli sugere que a Copel financie no Estado a construção de pequenas fábricas de equipamentos para captação de energia solar, para que os mesmos possam ser instalados nas casas. ''Isso seria usar a criatividade para reduzir o peso da conta de luz sobre o bolso das famílias, que também é uma forma de contribuir com o Fome Zero.''


Repique


Imediatamente, o diretor de Planejamento e de Distribuição da Copel, Ivo Pugnaloni, disse que a Copel está estudando a adoção de dois programas que visam aliviar o bolso do contribuinte. Um deles é o fornecimento de equipamentos para captação de energia solar para santas casas, hospitais públicos e quartéis, que são os campeões de inadimplência.


Compensação


Além de atender a causa social que o assunto implica, Pugnaloni disse que essa também é uma forma da empresa atender ao interesse dos seus acionistas porque a atual diretoria ficou estarrecida com a inadimplência encontrada na Copel, que é de R$ 320 milhões hoje.


''Gatos''


Outra medida que será estudada é a ligação de energia elétrica nas favelas. Segundo o diretor, as empresas de energia elétrica não fazem a instalação de luz nos barracos porque no Brasil muitas prefeituras se negam a autorizar o atendimento porque as favelas estão em áreas irregulares e as prefeituras sempre querem retirá-las do local sem nunca conseguirem. Agora a Copel vai fazer essas ligações, disse.


Mundo cão


Pugnaloni e Dom Mauro lamentaram que muitos incêndios que já ocorreram em favelas, que já mataram centenas de pessoas, foram provocados pela alternativa que os favelados encontraram que é a fazer ''gato'' com a energia elétrica. Ou seja, a famosa alternativa de puxar um ponto de luz para ter acesso a um serviço básico que dá dignidade e cidadania, disse Dom Mauro.


Empatados


Assim como Dom Mauro foi rápido na sugestão que fez à Copel de reduzir a conta de luz, Pugnaloni também foi rápido no batismo do programa que vai levar luz às favelas. Imediatamente chamou o programa de ''Projeto Genesis''.


Sem perdão


O verniz de civilidade que deu o tom da transição entre os governos Lerner e Requião e a troca de gentilezas na cerimônia de posse e transmissão de cargos foi pura fachada. Um mês depois de assumir, o novo governo já mexeu em algumas feridas do governo anterior. Dentre as quais, as polêmicas terceirizações, as transações de créditos de ICMS, os gastos com publicidade, a concentração das contas públicas junto ao Itaú, a dívida do Badep com seus ex-funcionários.


Perguntinha


O Palácio Iguaçu divulga quando o levantamento de gastos das viagens oficiais feitas no governo anterior?

Leandro Donatti e sucursais
[email protected]

mockup