Campo Mourão - No final de março, Ofélia Paulino foi a uma rádio de Campo Mourão (Centro-oeste) pedir ajuda para encontrar emprego como doméstica. Poucos dias depois, foi nomeada diretora-geral da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente da cidade, com salário de cerca de R$ 7 mil. Como Ofélia, outras dez pessoas ganharam cargos de chefia na prefeitura após os titulares se desincompatibilizarem dos cargos para disputar as eleições para a Câmara Municipal. Em cinco casos, os substitutos são mulheres - ou namorada - ou filhos. As nomeações foram assinadas pela prefeita Regina Dubay (PR), que não quis comentar a medida.

Na segunda-feira, o "Diário Oficial" do município publicou a nomeação de Roseli Pereira Stanziola para substituir o marido César Stanziola como titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Roseni Galdino assumiu a direção geral da Secretaria de Ação Social no lugar do marido Sebastião Galdino. Na Secretaria de Assunto de Governo, Gevilsson Bruno da Silva foi nomeado para ocupar o cargo de diretor no lugar do pai Antonio Gilson Da Silva. O secretário de Fiscalização, Edoel Rocha, cedeu o cargo ao filho Edoel Idilio Rocha.

O salário de um secretário em Campo Mourão, cidade de 90 mil habitantes, é de cerca de R$ 11,7 mil. Diretores de departamentos recebem aproximadamente R$ 3.700 mensais, com gratificação de 100%.
Na cidade, a nomeação mais polêmica foi a de Ofélia Paulino. O vereador Sidnei Jardim (PPS), que apresenta um programa em uma emissora de rádio da cidade e atende telefonemas de moradores em busca de emprego, disse que no dia 24 de março Ofélia entrou ao vivo no programa anunciando que estaria em busca de vaga para diarista ou mensalista. Segundo o vereador, a mulher teria relacionamento amoroso com Ademir Franco Lima, o Pezão, que ocupava anteriormente era diretor-geral da Secretaria de Meio Ambiente, novo cargo de Ofélia. Por telefone, Pezão não quis falar sobre a nomeação de Ofélia para seu antigo cargo e se irritou ao ser questionado se ela é sua namorada. "Quem te disse isso? Ela não é minha namorada. Sobre a nomeação você tem que ver com a prefeita. O cargo é dela, não é meu", disse. A reportagem não conseguiu contato com Ofélia.
Para o jurista Rodrigo Pironti Aguirre de Castro, especialista em direito administrativo, as nomeações são ilegais e configuram nepotismo. "Por mais que exista a permissibilidade de nomeação para alguns cargos, ela fica reprovada diante dos princípios da impessoalidade e moralidade."

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