Diários secretos não são novidade
Curitiba - A falta de acesso da imprensa e do público em geral aos Diários da Assembleia não chega a ser novidade. Em julho de 2008 a FOLHA noticiou a criação de quase 700 cargos comissionados em 18 meses na Casa depois de conseguir consultar 91 diários na biblioteca da instituição. Depois que a reportagem foi publicada, o presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus, mandou retirar os documentos da biblioteca sob o argumento de que eles seriam enviados para encardenação.
Na época, Justus declarou que estava trabalhando para dar mais transparência à Casa. ''Em uma ocasião já fiz a limpa de mais de dois mil e poucos funcionários'', contou então. Para o parlamentar, tornar a Assembleia transparente era uma questão de honra. ''Fiz um discurso e assumi um compromisso que, se não cumprir, colocará a minha gestão em cheque. Assumi um compromisso público que todo mundo viu, agora eu tenho que fazer'', prometeu na ocasião.
Justus realmente colocou no ar o portal da Transparência, que contém informações sobre os gastos da verbas de gabinete dos deputados e outras informações. Os diários, que contêm os atos oficiais do Poder Legislativo, no entanto, continuaram de fora do projeto de transparência da Casa. Ontem o deputado Durval Amaral (DEM), coordenador do projeto, disse que poderia comentar a ausência da publicação no site por se tratar de uma decisão da mesa diretora.
O deputado Tadeu Veneri (PT) disse ontem que caberia ao Ministério Público do Estado (MP) requisitar à Casa todos os diários já publicados e tomar providências caso os indícios de falta de publicidade com a coisa pública se confirme. ''Qualquer ato que estiver num diário que não for apresentado deixa de ter legalidade'', alertou. Já o MP informou que não irá se pronunciar sobre o assunto no momento. (R.C.F.)





