Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, e sua vice, a ministra Ellen Gracie, já receberam este ano o equivalente a um 14º salário apenas em diárias de viagens. Os dois embolsaram, apenas este ano, somados, R$ 45,2 mil para viajar sem contar despesas com passagens. No total, sete ministros do STF receberam R$ 76,1 mil, um quarto de toda a despesa que o tribunal teve este ano com diárias.
Com passagens e despesas com locomoção de ministros e funcionários, o STF gastou neste ano até agora R$ 545,5 mil. Um ministro do STF recebe de salário R$ 21,5 mil mensais. A ministra Ellen Gracie já ganhou, este ano, R$ 21,2 mil em diárias relativas a seis viagens, cinco delas internacionais, incluindo passagens por Marrocos, Israel e Canadá, em missões oficiais.
Nelson Jobim recebeu R$ 24 mil para 26 viagens, a maioria no Brasil. Além da grande quantidade de viagens, chama a atenção o hábito do presidente do STF de receber diárias mesmo em viagens que são pagas pelos anfitriões. A Agência Estado confirmou que, pelo menos em dois casos, isso aconteceu.
A assessoria de comunicação do Supremo disse que os ministros não se manifestariam sobre os gastos com diárias pagas a eles. Os valores das diárias estão previstos em uma resolução do tribunal. Para as viagens nacionais, são pagas diárias de R$ 330 e para as internacionais, US$ 416. No caso de a hospedagem ser paga pelo anfitrião, o ministro ou funcionário recebe metade desses valores, informou a assessoria do Supremo.
Vigora no STF um sistema liberal de acompanhamento dos gastos. Se um ministro ou funcionário da Corte viaja, recebe as diárias e não precisa prestar contas.

mockup