Diárias no governo Lula atingem média do período FHC
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sábado, 22 de outubro de 2005
Agência Estado 
Brasília - Levantamento feito pela Agência Estado revela que o governo Luiz Inácio Lula da Silva já gastou mais de R$ 1 bilhão com diárias para funcionários públicos. As contas do governo mostram que o R$ 1,045 bilhão despendido desde 2003 com essa finalidade manteve a salgada média do governo Fernando Henrique Cardoso. Só nos últimos dois anos, há casos de servidores que receberam até R$ 168 mil.
O dinheiro gasto na farra das diárias é cinco vezes maior do que o orçamento do Ministério da Cultura para este ano e 44 vezes maior do que o total investido no programa Primeiro Emprego, também em 2005. O levantamento não em leva em conta despesas com diárias de militares nem os custos das passagens aéreas. Até a última quarta-feira, o governo já havia gasto, só neste ano, R$ 324 milhões com diárias.
Levantamento feito pelo gabinete do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) mostra que o ápice dos gastos aconteceu no ano passado. Em 2004, a União bancou nada menos do que R$ 404 milhões em diárias para seus servidores civis. É o maior valor já pago pelo governo. O salto em relação a 2003, primeiro ano do governo Lula, é considerável. Naquele ano, desembolsou R$ 317 milhões. Desde então, os gastos só crescem.
De acordo com os dados do governo, as despesas com as diárias também eram altas nos últimos anos da administração tucana. Em 2001, penúltimo ano do governo FHC, foram gastos R$ 343 milhões. Em 2002, foram R$ 391 milhões.
A montanha de dinheiro também chama a atenção porque as diárias unitárias têm um valor modesto, principalmente em viagens nacionais. Ou seja, para acumular uma grande quantia, o servidor precisa viajar com frequência e permanecer longos períodos no local.
Pela lei, os valores variam entre R$ 57 e R$ 98, de acordo com a importância do cargo exercido pelo servidor. Quando o deslocamento se dá para capitais ou cidades com alto custo de vida, há um adicional que varia de 50% a 90% da diária. No caso de viagens internacionais, a diária é mais generosa. Varia de US$ 170 a US$ 460, dependendo do destino e do cargo do servidor público.
Além de receberem diárias, os servidores acumulam milhas, embora as passagens sejam custeadas pelo governo. Dependendo do cargo, nas viagens internacionais funcionários viajam de classe executiva ou até de primeira classe.
Cabe à Controladoria-Geral da União (CGU) fiscalizar essa despesa. Mas auditores ouvidos pela Agência Estado admitiram, reservadamente, que a Controladoria não costuma ter rigor na análise dessas viagens. Alegam que não há recursos nem pessoal disponível para isso.


