O assédio da imprensa não foi o único pelo qual o vereador afastado Orlando Bonilha (PR) passou no período em que ficou preso no quartel do Corpo de Bombeiros do Jardim Tókio (Zona Oeste de Londrina). Durante todo o dia de ontem, familiares, populares, assessores e até vereadores tentaram, a maioria sem sucesso, acesso ao ex-presidente da Câmara. Além da mãe, um irmão e o advogado, Ronaldo Neves, os únicos a ultrapassarem o portão escoltado por homens armados foram o atual presidente do Legislativo, Sidney de Souza (PTB), e o procurador jurídico Airvaldo Stella Alves. A entrada do petebista, contudo, aconteceu só em uma segunda tentativa - e autorizada pelo comandante da corporação, tenente-coronel Dario Natan.
O comandante justificou que a liberação de Souza não foi ''ao vereador, mas ao presidente da instituição. Ele apenas solicitou autorização para comunicar atos formais por meio do procurador da Câmara''. Em entrevista coletiva à tarde, contudo, o presidente do Legislativo disse que o teor da conversa não foi exatamente institucional: ''Ele (Bonilha) estava preocupadíssimo com a saúde de sua mãe e pediu que cuidasse de sua família'', relatou.
A determinação de encaminhar o vereador a um quartel e não a um presídio - diferente do que ocorreu com o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) em janeiro - partiu do juiz Délcio Miranda da Rocha. Segundo o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Nelson Águila, o juiz solicitou uma ''sala de Estado-Maior'' para o preso, regime de prisão especial que remonta à época da ditadura. O direito a esse tipo de prisão se justifica pela condição de parlamentar de Bonilha.
Ameaças
O promotor de Defesa do Patrimônio Público e um dos autores da denúncia criminal que levou à prisão de Bonilha, Renato de Lima Castro, disse ontem que o MP recebeu notícia de que o funcionário de uma das vítimas de crimes supostamente cometidos por vereadores teria recebido ameaças recentemente. Segundo ele, a ameaça teria sido anônima e nem o MP sabe quem foi o autor. ''Essa pessoa e sua família receberam ameaças de violência. Nós pretendemos ouvi-la e, caso o autor seja identificado, isso pode motivar um pedido de prisão'', afirmou. (Janaina Garcia e Vanessa Navarro/Reportagem Local)

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