Dia da Consciência Negra sai de pauta
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quarta-feira, 04 de novembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Câmara retirou de pauta ontem por tempo indeterminado o projeto de lei encabeçado pelo vereador Tito Valle (PMDB) que prevê a criação, em Londrina, do feriado do Dia da Consciência Negra a ser comemorado no dia 20 de novembro. A iniciativa, que encontra resistência de setores do comércio e da indústria, recebeu ontem um substitutivo proposto pelo próprio Valle, depois de conversar a portas fechadas, na sala da Presidência, com o presidente da Associação Comercial e Industrial da cidade (Acil), o empresário Marcelo Cassa. A entidade requisitou maior ''flexibilidade nas possibilidades'' abertas pela discussão, o que, em parte, foi atendido ontem com a alteração à matéria original estabelecendo que o novo feriado poderia ser compensado com um sábado a mais trabalhado no comércio varejista. Atualmente, a flexibilização de horário autorizada pelo Código de Posturas do Município só vale para os dois primeiros sábados de cada mês.
Segundo o presidente da Acil, a entidade ''não é contrária à questão cultural e social'' pretendida pela nova data, que marca a morte do ex-líder quilombola Zumbi dos Palmares. ''Somos contra pela questão econômica. Afinal, pelos dados de 2006 do IBGE, um dia parado representaria perda de R$ 19 milhões do PIB (Produto Interno Bruto) da cidade. De qualquer forma, não é um feriado que vai suprir o passivo de sofrimento dos negros que foram furtados e trazidos escravos para o Brasil, sem suas famílias, como lembra o projeto - o governo federal deveria ajudar com verbas para reverter isso'', definiu Cassa, que completou: ''Só o feriado não vai trazer retorno de dignidade aos afrodescendentes''.
Para o autor do projeto, falta ''amadurecer a proposta com os demais vereadores''. Valle evocou as cotas raciais do governo federal para justificar o feriado em Londrina. ''Quem conhece um médico ou um gerente de banco afrodescendente?'' Informado que o ministro do Esporte, Orlando Silva, é negro, o vereador desdenhou: ''Mas há muito tempo os negros se saem melhor nos esportes...''. Ministro, esportista? ''É uma Pasta sem expressão nacional.''


