Dia da Bíblia provoca polêmica
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terça-feira, 06 de junho de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A votação do projeto de lei que institui em Curitiba o segundo domingo de dezembro como o Dia da Bíblia só deve acontecer no final do mês. Dos 27 vereadores presentes ontem no plenário da Câmara Municipal, 23 votaram a favor do requerimento do vereador Celso Torquato (PSDB), que solicitava o adiamento da votação para daqui dez sessões legislativas. Outros 11 vereadores não compareceram no plenário. A justificativa do parlamentar tucano é de que as lideranças católicas não foram ouvidas pelo autor do projeto, o vereador Manassés Oliveira (PPS).
O projeto de lei se tornou polêmico na Casa porque para a Igreja Católica, conforme argumentou o vereador Tito Zeglin (PDT), já existe uma celebração em torno do livro sagrado, no dia 30 de setembro. ''A data é universal e se o projeto fosse aprovado nós estaríamos indo contra a vontade popular'', disse. O vereador não acredita, no entanto, na aprovação do projeto. ''O projeto é 'politiqueiro', porque não cabe ao Executivo ou ao Legislativo criar uma data'', afirmou ele.
O vereador Manassés Oliveira, no entanto, argumenta que o dia já consta tanto em lei federal quanto estadual. ''O Dia da Bíblia como o segundo domingo de dezembro já foi criado em 2001, na época do presidente Fernando Henrique Cardoso, e em 1985, no Paraná, na gestão do governador José Richa. Eu apresentei o projeto porque descobri que em Curitiba ainda não existia a homenagem à bíblia'', justificou. Para ele, a polêmica em torno do assunto teria começado porque ''a maioria dos vereadores, que é católica, está achando que os evangélicos estão capitalizando mais''.
Para o vereador Celso Torquato, ''o projeto nem deveria ter entrado na pauta da Casa''. ''Não queremos misturar política com religião'', afirmou. O vereador Manassés reforçou, no entanto, que o dia serviria somente para a ''exaltação das escrituras sagradas, o que independe da religião praticada''. Ele argumenta também que o dia foi criado em 1549, na Grã-Betanha, e que a data já é comemorada em mais de 60 países.
O projeto de lei já foi aprovado em primeira votação, no dia 30 de maio, de forma unânime - mas apenas 20 vereadores, de um total de 38 parlamentares, estavam presentes. A segunda votação, prevista para acontecer no dia seguinte, não ocorreu por falta de quórum, já que apenas cinco vereadores estavam presentes. Anteontem, quando a pauta iria ser novamente colocada em votação, a sessão teve que ser cancelada em função da morte do ex-vereador de Curitiba João Batista Gnoato. O velório aconteceu no plenário da Câmara Municipal.


