Curitiba - Um grupo de dez presos investigados na Operação Lava Jato (de um total de 12 previstos) foram transferidos na manhã de ontem da carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Eles foram levados em um ônibus que chegou por volta das oito horas à sede da PF, no bairro Santa Cândida.
O empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e o empreiteiro Gérson de Mello Almada foram mantidos na carceragem da PF porque ainda devem prestar depoimentos até quinta-feira e em seguida irão para o Complexo Médico Penal.
Foram transferidos: Agenor Franklin Magalhães Medeiros, José Aldemário Pinheiro Filho, José Ricardo Nogueira Breghirolli e Mateus Coutinho de Sá Oliveira (OAS); Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia); Gerson de Mello Almada (Engevix); João Ricardo Auler (Camargo Corrêa) e Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior).
O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró ficará na PF, pois está passando por exames médicos.

Banho coletivo
Relatório da Polícia Federal mostra que em seu novo endereço, no Complexo Médico Penal, empreiteiros, operadores de propinas, executivos e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque - todos réus da Operação Lava Jato - poderão assistir TV e ouvir rádio. Eles também terão direito a banho de sol todos os dias por uma hora.
Nas celas do presídio não há chuveiro individual, ou seja, o banho é coletivo. E o vaso sanitário é o chamado "boi", um buraco no chão - o preso tem de ficar de cócoras, sentado sobre os calcanhares.
Em ofício ao juiz Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Lava Jato, a PF alegou que não cabia mais tanto preso na Custódia da corporação. Outro argumento usado pela PF é que poderão "por acaso" ocorrer novas prisões no curso da Lava Jato. "No Complexo há médicos, inclusive psiquiatras e fisioterapeutas", destaca o relatório da PF, subscrito pelo delegado federal Ivan Ziolkowski.
As celas do presídio são "no mínimo 80% maiores" que as mais amplas celas da Superintendência da PF na capital paranaense. As visitas podem ser realizadas às sextas-feiras, "no período vespertino, no pátio do complexo".
O pátio onde os prisioneiros da Lava Jato poderão receber seus familiares "é local amplo, aberto, com mesas e bancos". Pelas regras da nova casa dos réus da investigação sobre esquema de corrupção e propinas na Petrobras a visita dos advogados pode ocorrer a qualquer dia da semana.

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