Brasília - Presidentes de dez partidos políticos - PT, PMDB, PSDB, DEM, PP, PC do B, PSB, PPS, PTC e PSC - divulgaram nota ontem se posicionando contra um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na nota de sete linhas, os presidentes tentam enterrar de vez as especulações de que há manobras para aprovar emenda à Constituição no Congresso para permitir uma segunda reeleição para o presidente Lula, os governadores de Estado e prefeitos.
''Essa nota é uma pá de cal sobre o assunto terceiro mandato'', resumiu o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. ''Não está na pauta de nenhum partido político a discussão do terceiro mandato'', disse o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), um dos articuladores do comunicado contra uma nova reeleição para o presidente Lula. ''O PT nunca estimulou nem em nenhum momento propôs qualquer alteração na Constituição para um terceiro mandato'', afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).
''Não está na agenda do Brasil nada parecido com o que está acontecendo na América Latina'', observou o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), em uma referência às mudanças promovidas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na Constituição do País que, entre outras coisas, prevêem a sua perpetuação no poder com a permissão infinita para reeleição.
A nota dos dez partidos políticos foi divulgada cinco horas depois de o presidente Lula ter chamado a atenção dos presidentes da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), do PT e do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) e determinado o fim da polêmica em torno de um terceiro mandato. Amigo de Lula, o ex-metalúrgico Devanir Ribeiro anunciou que pretendia apresentar proposta de realização de plebiscito sobre uma segunda reeleição para o presidente. A maioria dos presidentes de partidos políticos que assinou a nota defendeu o fim da reeleição. ''Mas isso é outro tema e não tem nada ver com o terceiro mandato. Não discutimos isso'', afirmou Michel Temer.
Ele começou a articular ontem a nota conjunta contra a possibilidade de uma segunda reeleição consecutiva para o presidente. Por telefone, ele conversou com os presidentes dos maiores partidos e propôs o comunicado conjunto. ''Foi uma unanimidade robusta contra reeleição. Não vejo como prosperar a tese do terceiro mandato. Aliás, não há como ter 308 votos para aprovar uma emenda constitucional nesse sentido'', argumentou Temer. No momento da divulgação da nota, oito presidentes de partidos políticos haviam assinado o comunicado. No fim da tarde, a nota contou também com a adesão do PPS e do PTC.
''Os presidentes de partido abaixo-assinados tornam público o seu posicionamento contrário a quaisquer alterações nas normas constitucionais que disciplinam as eleições para os cargos de presidente da República, governadores de Estado e prefeitos municipais, visando facultar um terceiro mandato consecutivo mediante segunda reeleição, uma vez que essa discussão compromete o clima de tranquilidade e normalidade política e institucional do País, necessário ao trabalho construtivo no desenvolvimento econômico e social da nação brasileira'', diz a nota.

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