Devassa em empresas de EJ envolve a DTC, de Curitiba
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terça-feira, 01 de agosto de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
A empresa curitibana Direct to Company (DTC), que teve como sócio o ex-secretário-geral da presidência da República Eduardo Jorge, até o mês passado, deverá passar por uma auditoria fiscal. O pedido para que se investigue a empresa foi encaminhado ontem ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, pelo Ministério Público Federal de Brasília. A Receita no Paraná deverá ser comunicada da decisão nos próximos dias.
A requisição de auditoria foi confirmada ontem pelo procurador Luiz Francisco Souza, em entrevista à Folha. Esta empresa (DTC) é muito suspeita, pois deu 10% de suas ações para o cara (Eduardo Jorge) a troco de nada?, questionou Souza. É claro que não, concluiu.
O procurador suspeita que a colocação de Eduardo Jorge na empresa serviria para abrir portas em Brasília em caso de necessidade de se ter influência política. Ele não coloca o ex-secretário-geral da Presidência como um lobista, mas uma pessoa que poderia servir para tráfico de influências.
A DTC é uma empresa de comunicação por Internet e satélite, que foi criada no ano passado para atuar com educação à distância. Seu sócio fundador é o empresário Leonardo Petrelli Neto, um dos donos da TV Independência, retransmissora da Rede Record. A participação de Eduardo Jorge na DTC começou em dezembro do ano passado, quando foi oferecido a ele 10% da sociedade, o que representaria uma cota de 1 milhão de ações.
Petrelli Neto disse à Folha, na semana passada, que Eduardo Jorge não integralizou o capital e por isso saiu da sociedade no mês passado. Ele afirmou que as acusações de envolvimento em corrupção, tráfico de influência e desvio de dinheiro poderiam ter contribuído para mudar o rumo de seus negócios. Na Junta Comercial, o nome do ex-assessor da Presidência ainda aparece como acionista da DTC.
Segundo o procurador Luiz Francisco Souza, Petrelli Neto poderá ser chamado para dar explicações em Brasília. Os demais sócios também poderão ser convocados. A Folha tentou falar com Petrelli Neto em sua empresa e pelo celular, mas não conseguiu localizá-lo.


