Detran demite chefes de Ciretrans por irregularidade
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O diretor do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, Marcelo Almeida, exonerou ontem quatro chefes de Ciretrans unidades de atendimento do Detran e determinou o fechamento da Ciretran de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, por fraudes e uso da estrutura do governo do Estado em práticas consideradas pelo Detran de ''eleitoreiras''. As exonerações foram precedidas de investigações feitas pela Coordenadoria de Inspeção e Auditagem (Coia), órgão fiscalizador do Detran.
Entre os exonerados estão Edson Luiz Bittencourt Vaz, chefe da Ciretran de Rio Branco do Sul; Eduardo Arjona Simões, da Ciretran de Faxinal; Robson Luiz Martelotti, da Ciretran de Imbituva; e Sérgio José Zago, da Ciretran de Coronel Vivida. Com o fechamento da unidade de Rio Branco do Sul, os atendimentos foram transferidos para a Ciretran de Curitiba, nas unidades dos bairros do Tarumã, Centro e Vila Hauer.
O primeiro inquérito a ser concluído foi o de Rio Branco do Sul, que segundo o Detran, houve a comprovação de várias irregularidades como a cessão de material de uso exclusivo do órgão para terceiros (decalques e etiquetas gomadas), uso indevido de carros da Ciretran para fins político-eleitorais e assistenciais, permissão de comércio ilegal de placas dentro da Ciretran e recepção de processos irregulares para o registro de veículos.
A exoneração surpreendeu os envolvidos. Com exceção de Vaz, os demais ainda não estavam sabendo da demissão ontem à tarde. Vaz, disse à Folha que as acusações contra ele não procedem e ele foi vítima de perseguição política. Segundo o ex-chefe da Ciretran de Rio Branco do Sul, ele assumiu a função, que é cargo em comissão, em fevereiro deste ano indicado pelo deputado Mário Sergio Bradock (PMDB).
Vaz disse que provou ao órgão fiscalizador que não usou o carro da Ciretran indevidamente, diante da acusação de que utilizava o carro para distribuição de cestas básicas em favor de um candidato a prefeito no município. Vaz negou ainda a acusação de que repassava materiais de uso exclusivo do Detran para terceiros, alegando que quando assumiu o órgão acabou com práticas irregulares que existiam na repartição. ''Aqui em Rio Branco do Sul a briga política é pesada e eu que proibi o comércio de placas ilegais'', afirmou.
De acordo com o Detran, o problema com as Ciretrans ocorre porque as chefias são ocupadas por indicações políticas e geralmente elas fazem uso do cargo em períodos eleitorais. De acordo com o órgão, as exonerações foram resultados de exaustivas investigações com produção de provas.
De acordo com o Detran, o fechamento da Ciretran de Rio Branco do Sul não vai causar prejuízos à população da cidade. Desde que foi criada, a Ciretran só atendia a processos de registro de veículos. Todo o atendimento do setor de habilitação, incluindo renovação e alteração ou inclusão de categoria, era feito em Curitiba.


