Curitiba - A ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) do Paraná por improbidade administrativa contra o ex-presidente da Copel e ex-secretário da Fazenda Ingo Hubert, o ex-diretor da Copel Ferdinando Schauenburg, os ex-funcionários Walfrido Vitorino Ávila e Luiz Alberto Blanchet e também contra as empresas Tradener, Logos Energia e DGW Participações e seus sócios, corre o risco de não prosperar por um detalhe jurídico. A avaliação é do advogado Carlos Abrão Celli, autor de uma ação popular ingressada em 2001 também contra a sociedade entre a Copel e a Tradener.
Celli protocolou ação contra a parceria com o mesmo teor da ação civil pública do MP, protocolada no dia 24 de junho passado. ''O MP entrou de forma errada com a ação'', interpretou ontem Celli em entrevista à Folha. Para o advogado, a ação do MP corre o risco de se tornar inócua e o processo poderá ser extinto antes de sua tramitação, se o juiz entender que outro processo semelhante já está correndo há cerca de dois anos e meio. De acordo com o advogado, em vez de entrar com nova ação, o MP deveria ter continuado acompanhando o processo de sua autoria, inclusive manifestando-se nos autos como já fez anteriormente. ''A interposição de ações semelhantes só dificulta a tramitação'', disse Celli.
O MP refuta o argumento de Celli, alegando que embora parte do conteúdo das ações seja semelhante, a da promotoria é mais abrangente. ''A ação civil pública ataca também o contrato de comercialização de energia entre a Tradener a Copel'', informou o MP ontem através de sua assessoria de imprensa em Curitiba. Celli reclama ainda que o MP sabia da existência da sua ação, que foi distribuída à 1 Vara de Fazenda Pública. A ação civil pública do MP chegou ontem às mãos do juiz da 2 Vara de Fazenda Pública, Luiz Osório Panza, mas não há data definida para ser analisada.
A parceria entre a estatal de energia e a Tradener é alvo de vários questionamentos na Justiça. Além das ações de Celli e do MP, outra tramita na 4 Vara de Fazenda Pública. A CPI da Copel na Assembléia Legislativa também investiga o caso. A CPI deve concluir seus trabalhos em agosto, se não pedir prorrogação de prazo. A Tradener, criada em 1998, atua no ramo de comercialização de energia. A constituição da Tradener foi deliberada internamente pela Copel, sócia minoritária. Ela foi criada para que a Copel vendesse seu excedente de energia.

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