Desvios na UEM podem chegar a R$ 8 milhões
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quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Marta Medeiros <br> De Maringá 
Relatório de uma comissão que avaliou os critérios utilizados na produção da folha de pagamento de servidores e professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) mostra a existência de uma série de irregularidades que teriam sido cometidas pela administração da instituição. Estimativas de pessoas ligadas à reitoria apontam que as irregularidades e desvios cometidos nos últimos anos podem chegar a R$ 8,6 milhões - 10% do valor anual da folha de pagamento da UEM, prevista em R$ 86 milhões. Os fatos levantados pela comissão ocorrem há mais de dois anos e começam agora a ser investigados pelo Ministério Público (MP), que abriu um inquérito civil público.
Os indícios de irregularidades surgiram em novembro de 1999, quando dois professores pediram à reitora Neusa Altoé a instalação de uma comissão para investigar um caso de corrupção envolvendo o servidor Ivair Spacini dos Santos. A comissão, porém, só foi instalada em fevereiro de 2000, por determinação do vice-reitor José de Jesus Previdelli, que aproveitou um período como reitor em exercício.
O trabalho da comissão se concentrou em documentos de outubro de 98 a dezembro de 99. A Folha teve acesso ao relatório final, que foi entregue à instituição no dia 14 de agosto de 2000. Apesar de a comissão ter observado que não teve acesso a documentos sobre promoções, substituições, alterações de cargos, alocações e readaptações, foram encontrados indícios de várias irregularidades. Uma delas é que servidores estavam sendo remunerados à parte por atividades inerentes ao setor de trabalho, além de casos de pagamentos não amparados por lei.
No relatório, o grupo afirma que o controle do sistema da folha de pagamento apresenta ''fragilidade do ponto de vista da segurança e consistência'' e alerta para que a administração realize uma ''revisão total de todo o sistema''.
Outro item que chamou a atenção dos integrantes da comissão foi o tratamento desigual entre servidores por parte da Pró-Reitoria de Recursos Humanos. Trecho do documento aponta que ''...procedimentos diferenciados de um servidor para outro, resultando em pagamentos a maior e outros a menor para situações de mesma natureza, tendo, inclusive, casos com diferenças significativas''.
Fontes da Folha garantem que muitos nomes na lista de servidores com ''ganho'' a mais atuaram como cabos eleitorais da atual reitora. Essas mesmas fontes lamentam que ela, mesmo sabendo do caso de corrupção cometido pelo servidor Ivair (que atuava como chefe do Departamento de Pessoal) não tomou nenhuma providência, nem quando foi alertada por professores.
''Pessoas da reitoria simplesmente fizeram um trabalho de convencimento junto ao servidor para que ele próprio pedisse a exoneração, como de fato aconteceu'', revelou uma das fontes. A reitora só se manifestou sobre o relatório no dia 17 de abril deste ano, através de uma solicitação ao CAD para que tomasse conhecimento do caso.
A Folha procurou ontem a reitora Neusa Altoé. Segundo a secretária de gabinete da UEM, a reitora estava em trânsito, retornando de uma viagem a Curitiba.


