Curitiba - Um relatório de mais de 100 páginas feito pela Kroll, uma empresa internacional especializada em consultoria e investigação contábil, aponta irregularidades na gestão da Fundação Copel no período de 27 de janeiro a 26 de novembro de 2003 que provocaram prejuízos estimados em R$ 180 milhões para os funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel). O relatório já foi concluído mas não foi divulgado. A Folha teve acesso ao relatório extra-oficialmente.
No final do ano passado, a diretoria da Fundação Copel foi destituída após denúncias do governador Roberto Requião (PMDB) sobre malversação dos recursos da entidade, responsável pelos planos de previdência dos funcionários da Copel. Preocupados com as denúncias, os integrantes do Conselho Deliberativo da fundação contrataram a Kroll para verificar a extensão da malversação.
O relatório da investigação que deveria ficar pronto em 45 dias demorou quase três meses para ser entregue. Agora, será encaminhado ao Ministério Público (MP) estadual para apreciação. Os prejuízos detectados referem-se à compra de debêntures de empresas, que não têm valor no mercado e perdas com operações financeiras duvidosas. Desde quando o caso de malversação dos recursos da fundação foi denunciado, o ex-presidente da Fundação Copel Othon Marder Ribas vem contestando os números, argumentando que eles não são corretos.
Entre os fatos mais suspeitos apontados na investigação estão as transferências de aplicações do Banco Itaú para o Banco Santos e Banco Panamericano, este do Grupo Silvio Santos. As transferências não foram ilegais mas quando se tratam de somas expressivas, o próprio mercado questiona o procedimento. Considerando que a rentabilidade paga nas aplicações é a mesma, o que se indaga é: por que foram feitas, se o pagamento da Contribuição Provisória da Movimentação Financeira (CPMF) absorveu 30% da rentabilidade?
Na transferência de R$ 300 milhões, o prejuízo financeiro só com a CPMF foi de R$ 1,2 milhão para os cofres da Fundação Copel. Na época que foi feita a operação, as transferências de aplicações financeiras ainda sofriam tributação da CPMF, que hoje estão isentas.
De acordo com o relatório, houve uma aplicação de R$ 100 milhões no Banco Santos e de R$ 80 milhões no Banco Panamericano. O máximo que se poderia aplicar em bancos de menor porte, conforme regras estabelecidas pelo Conselho de Administração da entidade, seria de R$ 20 milhões. Outra irregularidade foi o pagamento desnecessário de impostos, que deu um prejuízo de R$ 823 mil. De acordo com um funcionário, que não quis se identificar, foram várias operações financeiras que quando averiguadas apontavam para prejuízos de quase R$ 1 milhão cada uma. Na soma, o rombo ficou pesado para as contas da fundação.
O maior problema, entretanto, continua sendo as irregularidades apontadas na compra de ações da Universidade Luterana Brasileira (Ulbra), no valor de R$ 100 milhões; e das concessionárias de pedágio, Rodonorte e Ecovia por R$ 60 milhões. Passados quase seis meses da denúncia de Requião, a Fundação Copel continua com o mico desses papéis na mão. A Folha apurou que a entidade já tentou vendê-los no mercado mas não encontrou comprador.

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