Desvios do Provopar serão investigados em Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Lino Ramos<br>De Londrina 
A promotora da 3 Vara Cível de Londrina, Solange Novaes Vicentin, pediu ontem ao delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Gilson Garrett Algauer, abertura de inquérito sobre as denúncias de irregularidades no Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). Segundo auditoria feita pela Prefeitura de Londrina, os desvios chegaram a R$ 741.756,34, quase metade do valor repassado à entidade de 1998 a 2000 (R$ 1,6 milhões). Pelo menos R$ 250 mil teriam sido depositados na conta da ex-gerente do Provopar, Maria Cristina Campos.
O Ministério Público pediu investigação sobre a autoria dos crimes de falsificação e adulteração de documentos. Solange Vicentin disse apenas que ''pode ter havido peculato e apropriação indébita, mas isso depende de outros levantamentos e outros crimes podem ser investigados''.
A Folha teve acesso a trechos do depoimento, onde Maria Cristina afirma que a responsável pelas contas do órgão era a coordenadora do Provopar, Cristina Barros. A ex-gerente também sugere que parte dos recursos desviados teriam sido utilizados em campanhas eleitorais. ''Era a coordenadora que controlava os pagamentos e vencimentos dos compromissos do dia-a-dia'', afirmou.
Maria Cristina também declarou que em 1998 Cristina Barros pediu para ela depositar cheques em sua conta pessoal e repassar os valores para terceiros ou mesmo para a coordenadora. Segundo a ex-gerente, quatro cheques no valor de R$ 26 mil emitidos entre setembro de 1999 e fevereiro de 2000 foram para diversos pagamentos ''relacionados com campanhas eleitorais e grande parte para restaurantes''.
O delegado Gilson Garrett disse ontem à tarde que não teve acesso ao depoimento de Maria Cristina. A promotora Solange Vicentin não quis confirmar as declarações, nem dizer de quem seria a campanha eventualmente beneficiada com recursos do Provopar. Cristina Barros não foi encontrada pela reportagem.


