Desvios de verbas em Altônia podem chegar a R$ 3 mi Vânia Moreira De Umuarama Os desvios de verbas na prefeitura de Altônia (88 quilômetros a sudoeste de Umuarama) investigados pelo Ministério Público podem chegar a R$ 3 milhões. A informação é do prefeito em exercício, José Orivaldo Canalli (PSDB), que assumiu o cargo sexta-feira passada e está fazendo uma ‘‘devassa’’ nas contas municipais. O prefeito Durval Emídio dos Santos (PFL) foi afastado do cargo por determinação da juíza Rosângela Faoro. A juíza acatou o pedido de afastamento feito pela promotora Cláudia Rodrigues de Moraes, autora de uma ação civil pública que apura o desvio de R$ 420 mil da Caixa de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Públicos de Altônia. Segundo Canalli, existem dezenas de cheques emitidos pela prefeitura e depositados em contas correntes particulares do prefeito, secretários e outros diretores e funcionários. Canalli também recolheu documentos e notas fiscais de fornecedores, cujas assinaturas podem ter sido falsificadas, notas fiscais frias e outros documentos suspeitos. De acordo com o prefeito em exercício, o balanço financeiro do ano passado aponta um ‘‘rombo’’ de R$ 250 mil. ‘‘Não há comprovação de onde esse dinheiro foi aplicado’’, explica. Os servidores estão com dois meses de salários atrasados e a dívida do município com fornecedores chega a R$ 1 milhão. Santos também teria descontado mais de R$ 600 mil dos servidores e não depositou o valor no fundo de pensão e aposentadoria. Todos os documentos suspeitos foram enviados à promotoria. Santos e o advogado dele, Iso Medeiros, estão em Curitiba para acompanhar o julgamento do recurso impetrado no Tribunal de Justiça contra o afastamento imposto pela juíza Rosângela Faoro. Santos espera derrubar a liminar judicial e reassumir o cargo nos próximos dias. A Folha tentou ouvir o prefeito afastado ou o advogado, mas ele não quis dar declarações.

mockup