Desvios atingem ex-prefeito Said e já podem alcançar R$ 40 milhões
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quarta-feira, 01 de novembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
A auditoria interna realizada nas contas da Prefeitura de Maringá, a pedido do prefeito licenciado, Jairo Gianoto (PSDB), divulgou ontem o desvio de R$ 4.266,800,00 durante 1996, ainda na administração do prefeito Said Ferreira (sem partido). São 26 cheques da conta da prefeitura na Caixa Econômica Federal (CEF), agência Cidade Canção, emitidos de janeiro a dezembro de 96, de valores que variam de R$ 45 mil a R$ 480 mil. Pelo cálculo de membros da atual administração, o rombo nos cofres da prefeitura podem alcançar R$ 40 milhões durante o período que está sendo auditado, de 1986 a 2000. O valor representa cerca de 30% do orçamento anual do município.
Assinados em sua maioria pelo ex-secretário Luis Antônio Paolicchi e pela tesoureira Rosimeire Castelhano Barbosa, os cheques eram nominais à própria Caixa com pedido de cheque administrativo. Os recursos eram então desviados para terceiros. Três nomes estão identificados no verso dos cheques, e segundo constatou a auditoria, nenhum deles tinha crédito a receber do município. Um dos beneficiados, segundo fonte de dentro da prefeitura, é doleiro em Londrina. Os nomes não podem ser divulgados devido a garantia de sigilo bancário e fiscal.
Os auditores também não localizaram empenhos ou outros documentos que comprovem a exigência do pagamento de todos os cheques. Ou ainda qual foi o destino final do dinheiro desviado, o que será possível apenas com a quebra de sigilo bancário dos beneficiados com os depósitos. Outro detalhe é que os cheques analisados representam apenas uma conta da prefeitura, a da Caixa Econômica Federal, já que os demais bancos não repassaram cópias dos cheques solicitadas pela auditoria. Além da CEF, a prefeitura tem movimento mais intenso no Banco do Brasil e Banestado.
O desvio de R$ 4,2 milhões em 96 foi o primeiro resultado alcançado pela auditoria, e coincide com o período em que Luis Antônio Paolicchi, que já é acusado civil e criminalmente de desviar R$ 3,1 milhões, ocupou o cargo de secretário de Fazenda. O que chamou a atenção dos servidores que tiveram acesso às cópias dos cheques, é que o maior valor desviado, um cheque de R$ 480 mil, foi emitido em 19 de dezembro de 1996. Na época, a prefeitura não pagou os salários e o 13º dos servidores alegando falta de recursos, diz um servidor, que não quer ser identificado.
O ex-prefeito Said Ferreira disse ontem à Folha que já autorizou o MP a pedir a quebra de sigilo bancário, nos dois períodos em que administrou o município. Nas minhas contas tenho certeza que dinheiro desviado não será encontrado, garantiu. Ele lembra que na última administração, de 1993 a 1996, quando Paolicchi chegou a assumir a secretaria no final das gestão, desconfiava de irregularidades. Tanto que fez uma auditoria, mas não localizou nenhum problema. Com a saída de Paolicchi da prefeitura e a forma como é dirigida a auditoria, diz Ferreira, as suspeitas começam a se confirmar.
Com os R$ 4,2 milhões levantados pela auditoria já somam R$ 7,3 milhões desviados da Prefeitura de Maringá nos últimos quatro anos. O Ministério Público descobriu inicialmente um rombo de R$ 2,6 milhões, de cheques assinados por Rosimeire e pelo ex-secretário Jorge Aparecido Sossai, e depositados na conta do advogado Waldemir Ronaldo Correa. Da conta de Correa os valores eram depositados para Paolicchi. Na semana passada, o MP descobriu cheques no valor de R$ 549 mil emitidos em favor da própria prefeitura, e transferidos por ordem de crédito para a conta do prefeito Jairo Gianoto.
O prefeito teve os bens indisponibilizados pela Justiça e se afastou do cargo. Gianoto tem duas fazendas em Nova Mutum (MT), no total de 460 hectares avaliadas juntas em R$ 696 mil. A terra de lavoura vale, segundo a Colonizaroda Mutum, R$ 496 mil, e as benfeitorias outros R$ 200 mil. Um haras que o prefeito tem em sociedade com o irmão, Walter Moraes Gianoto, em Mandaguaçu, região de Maringá, com 18 alqueires, está avaliado em R$ 207 mil mais aproximadamente R$ 100 mil em benfeitorias. O avião bimotor Chayenne, com capacidade para oito pessoas, ano 1981, avaliado em R$ 120 mil, foi vendido pelo prefeito antes do embargo da Justiça.


