Desvio de recursos do TRT pode ter seguido esquema do Banestado
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília Investigadores que trabalham no levantamento das contas de brasileiros no exterior (que podem chegar a US$ 30 bilhões, via Banestado), suspeitam de que parte dos recursos desviados das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo pode ter ido para paraísos fiscais pelo mesmo esquema.
Procuradores e policiais federais devem fazer um rastreamento de 13 remessas feitas para bancos de Foz do Iguaçu, de R$ 17,3 milhões, no mesmo período em que houve cinco liberações de dinheiro pelo governo federal. Se as remessas foram feitas via Foz do Iguaçu, é quase certo que os recursos para o fórum utilizaram as mesmas contas, afirma o procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza.
Os investigadores pretendem confrontar as informações levantadas durante a apuração dos desvios do dinheiro do TRT pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado com os documentos recolhidos pelas autoridades brasileiras nos Estados Unidos.
Se for confirmada a relação, a investigação poderá ser estendida a anos anteriores a 1996, quando foram descobertas as primeiras contas no Banestado de Nova York.
O levantamento inicial feito pelo governo é que pelo menos R$ 169 milhões liberados para a obra do fórum foram desviados. Um relatório feito pela CPI do Judiciário sobre o caso demonstra que pelo menos 13 remessas foram feitas para o exterior depois das ordens bancárias emitidas pelo governo em favor dos construtores, sendo que uma delas, de R$ 19 milhões, utilizou o Banestado como ponte para o envio de R$ 3,2 milhões para o exterior.
Para fazer as remessas, foram utilizados diversos bancos brasileiros e paraguaios, mas as agências sempre eram as de Foz do Iguaçu. Na época em que a investigação foi feita para apurar os desvios dos recursos para o fórum, não tínhamos ainda como levantar a forma de como o dinheiro foi enviado. Mas agora há como fazer esta apuração, diz Souza, que amanhã vai depor na Comissão de Segurança da Câmara sobre o Banestado. Foi para ele que o delegado José Francisco Castilho Neto entregou grande parte dos documentos arrecadados em Nova York.


