Desvio de cocaína apreendida indicia delegado de tóxicos
Agência Estado
De Campinas
O delegado Ricardo de Lima, ex-diretor da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, foi indiciado ontem pela CPI do Narcotráfico, sob acusação de irregularidades na realização de um flagrante de apreensão de 340 quilos de cocaína, em 26 de janeiro. A droga, avaliada em R$ 22,2 milhões, acabou sendo roubada seis dias depois do posto do IML.
A apreensão havia sido feita em uma chácara de Indaiatuba. Seis traficantes foram capturados pela PM, mas Lima autuou apenas cinco. Uma mulher, Sônia Aparecida Rossi, apontada como chefe da quadrilha e já condenada a 33 anos, foi ouvida por Lima como testemunha e liberada.
Os deputados estão convencidos de que o delegado Lima poupou Sônia, no mínimo por conivência. A traficante foi detida semanas depois mas fugiu da Penitenciária do Tatuapé, na Capital, resgatada por um motociclista. Outro acusado, Cláudio Silva Santos, fugiu no início do mês da Penitenciária de Guarulhos. Ele estava convocado para depor à Comissão em Campinas.
O tom de desafio do delegado Lima irritou os deputados. Ele disse que é um policial experiente e executa seu trabalho dentro da lei. Contradições e respostas evasivas de Lima fizeram com que a CPI o submetesse a três acareações. A terceira acareação foi com o assaltante Gilmar Leite Siqueira e agitou o salão do júri do Fórum Criminal de Campinas, onde a CPI se instalou. Agora não tem mais volta, doutor, o leite já derramou, disse Gilmar. Não devo nada, defendeu-se o delegado.





