Pelos cálculos do Ministério Público (MP), entre 1993 (início de seu primeiro mandato) e 1999, o vereador Custódio da Silva teria causado prejuízo de R$ 3 milhões aos cofres municipais. Ele responde na Justiça por uma ação civil pelo crime de improbidade administrativa e duas ações criminais pelo crime de peculato.
A promotoria constatou que o vereador curitibano fraudou a prestação mensal de contas da verba de assistência destinada a ele pelo Poder Legislativo, para atender aos necessitados. Entre janeiro de 1994 e dezembro de 1999, cada vereador tinha R$ 1,8 mil por mês para serem destinados à assistência social. Esses recursos só poderiam ser usados para o auxílio de pessoas carentes. Para o controle da distribuição dos recursos, a Assembléia mantinha a exigência do preenchimento de um recibo padrão.
De acordo com o MP, o vereador fazia pessoas – que não recebiam o dinheiro – assinarem recibos em branco ou escritos a lápis. Depois, os documentos eram preenchidos e esquentados com dados fictícios. A promotoria detectou ainda no decorrer das investigações que o vereador usou uma entidade criada por ele para fraudar as prestação de contas.
O Centro de Atendimento Comunitário São Jorge servia de fachada. Os promotores ouviram cerca de 100 pessoas entre as que constavam em 2 mil recibos de assistência apresentados pelo vereador. Do total de testemunhas, 80% disseram que nunca receberam dinheiro da entidade, apesar de terem assinado os recibos.
Custódio ocupa uma cadeira da Câmara de Vereadores de Curitiba desde 1992, quando foi eleito com 2,9 mil votos pelo PST. Ele está no seu terceiro mandato e já mudou muito de partido. Tem passagens pelo PST, PDT e agora está no PFL.
Em 1996, ele foi eleito com cerca de 17 mil votos. Na última eleição, seu desempenho caiu e ele somou 12 mil votos. Custódio tem significativa atuação na região sul da capital. Ele mora no Bairro Nossa Senhora da Luz. Lá fica o Centro de Atendimento Comunitário, que lhe garante boa votação na região.
No plenário da Câmara, entretanto, a participação do vereador Custódio é pálida. Colegas dizem que ele debate pouco as matérias e sempre se posiciona alinhado ao prefeito Cassio Taniguchi, do mesmo partido. Custódio já foi metalúrgico na Bosch, entre 1978 e 1998. O vereador tem 42 anos, é casado e pai de duas filhas. (M.D.)

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