Desunião também marca as oposições na Bahia
Os petistas baianos já tinham posição firmada contra uma aliança com o PDT, na eleição de governador, mesmo antes da crise provocada pelo PT carioca. A decisão foi tomada quando o ex-governador Waldir Pires (PT) decidiu renunciar à disputa pela sucessão estadual, por não ter conseguido unir as oposições, logo depois de Luís Eduardo Magalhães ser confirmado candidato do PFL no início de abril.
Setores mais sectários do PT não admitiram apoiar o candidato lançado pelo PDT, o ex-governador João Durval Carneiro, cria do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) da década passada, que brigou com ACM há quatro anos. Mas Carneiro conseguiu atrair para sua candidatura PSDB, parte do PSB, PPS, PV, PMN, PAN, PRP e Prona. Os petistas ficaram apenas com o PC do B e devem lançar o vereador Zezéu Ribeiro (PT) como candidato a governador.
O curioso da situação criada com a desunião das oposições baianas é que para a eleição presidencial, o palanque de Carneiro, estará aberto aos três principais candidatos: o presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo PSDB, Ciro Gomes, pelo PPS e até Luís Inácio Lula da Silva que tem o apoio do PDT baiano. Com isso Lula terá dois palanques à disposição.
CearáA primeira consequência no Ceará da decisão carioca foi imediata: o partido de Leonel Brizola suspendeu o apoio à candidatura do ex-prefeito José Airton Cirilo, do PT, ao Governo. Na Câmara, a vereadora Luiziane Lins, do PT, no entanto, defendeu a decisão do diretório carioca, afirmando que ela deve ser respeitada. Já o vereador Durval Ferraz, também do PT, além de criticar a infeliz decisão, sugeriu sua intervenção, sob o argumento de que o que aconteceu no Rio de Janeiro traz sérios riscos à viabilidade da candidatura de Lula.
Ferraz, que chegou a apresentar um requerimento de repúdio ao diretório do Rio, recuou depois de receber ponderações. O vereador Heitor Férrer, indicado pela chapa majoritária da esquerda como candidato do PDT ao Senado, preferiu aguardar uma decisão definitiva da Executiva Nacional, até que se defina o problema no Rio. Para o vereador Francisco Lopes, do PC do B, a decisão do PT carioca afeta a coligação nacional, atingindo em cheio as coligações regionais.
Na Assembléia, a grande preocupação dos deputados de centro-esquerda é que os ventos adesistas do Rio venham a contaminar a campanha de Airton Cirilo ao Governo do Estado, que é defendida por uma coligação entre o PT, PCB, PV, PSB e PC do B e PDT.





