Brasília Dirigentes do PFL definiram que o apoio do partido ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no caso dos grampos da Bahia terá a mesma duração do inquérito da Polícia Federal (PF). Se as investigações concluírem pela inocência, o partido será o primeiro a cobrar a retratação dos que apontam o envolvimento do senador na fraude. Mas, se, ao contrário, ficar comprovada a participação, ACM será abandonado pelos colegas, a exemplo do que ocorreu no episódio de violação do painel do Senado.
Na ocasião, acusado pela diretora do Centro de Processamento de Dados do Senado (Prodasen), Regina Borges, de ter tido acesso à lista da votação secreta da sessão que cassou o senador Luiz Estevão (DF), então do PMDB, ACM renunciou ao mandato para não ser cassado.
''Não iremos nos afogar juntos'', resumiu um parlamentar pefelista. Na Bahia, onde permanecerá durante toda a semana, ACM telefonou a colegas do Senado para dizer que, na hora própria, apresentará provas da inocência. A posição do PFL, de se guiar pelas investigações, é a mesma defendida pela maioria dos senadores.
Eles não querem pré-julgar o colega ou encaminhar a tarefa ao Conselho de Ética, enquanto a PF não concluir o trabalho. De acordo com o líder do governo, senador Aloizio Mercadante (SP), a atuação ''eficiente e muito rápida'' dos encarregados do inquérito dá ao Senado a certeza de que nenhum dos envolvidos nos grampos ficará impune.
Mercadante disse que a expectativa se deve ao resultado obtido até agora na apuração, com a identificação dos autores da escuta, da juíza envolvida, dos policiais e dos telefones grampeados. ''Além de existirem fortes indícios sobre o mandato'', constatou, referindo-se ao depoimento da ex-namorada de ACM Adriana Barreta e de seu marido, Plácido Faria, e da reportagem da revista ''Isto É'', que disse ter ouvido o senador afirmar que mandou grampear o deputado Geddel Vieira Lima (PFL-BA).
''Queremos ter absoluta convicção de que tudo será investigado'', afirmou o líder. ''Um fato gravíssimo como esse não pode se repetir, precisamos punir todos os culpados.'' O líder negou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha tratado desse assunto com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
O líder do PFL, José Agripino (RN), reiterou ontem que, em nenhum momento, o partido analisou a hipótese de renúncia de ACM. ''Não vamos cobrar nada do senador'', afirmou. ''Ele é um homem de responsabilidade com uma longa história de serviços prestados à Bahia e ao Brasil'', alegou. Para o senador Jefferson Péres (PDT-AM), a vantagem de o Senado aguardar a conclusão do inquérito da PF é que, nesse caso, poderá dispor de provas suficientes para acionar o Conselho de Ética, encarregado dos processos de perda do mandato parlamentar, ou então criar uma CPI para investigar mais a fundo o esquema de grampos ilegais no País.