Curitiba - Dos oito deputados estaduais que são candidatos e têm nas suas prestações de contas de julho despesas que não poderiam constar naquele mês, a maioria explicou à Reportagem que se tratam de gastos antigos, feitos antes do período eleitoral. Na prestação de contas de julho da deputada estadual Cida Borghetti (PP), consta que ela usou R$ 13.029,60 da verba de ressarcimento para pagar ''Serviços de Divulgação da Atividade Parlamentar''. Despesas do tipo são proibidas 90 dias antes da eleição, mas a pepista disse que o valor, embora ressarcido em julho, se refere a gastos feitos em maio e junho.
Cida pagou R$ 2.800,00 para uma empresa de assessoria e propaganda, R$ 7.329,60 para outra de propaganda e publicidade e R$ 2.900,00 para uma gráfica. As três empresas são de Maringá, principal base eleitoral da parlamentar, que é candidata a deputada federal em outubro. ''Eu vou até sugerir que as datas das despesas sejam colocadas (no Portal da Transparência)'', afirma ela. Cida afirma que a prestação de contas feita pelo seu gabinete é ''mais detalhada'', ou seja, o Portal da Transparência é que limitaria o acesso do público a determinados dados.
Já o deputado estadual Chico Noroeste, que tenta a reeleição, gastou R$ 5.313,00 de ''Serviços de Divulgação da Atividade Parlamentar'' com pagamentos a uma rádio de Foz do Iguaçu. ''Eu tinha um programa semanal, de uma hora de duração, que saiu do ar no final de junho'', explicou ele. ''Seguramente a contratação e a divulgação foram anteriores a julho'', reforçou ele.
Rosane Ferreira (PV) tem a mesma explicação. Ela teve um ressarcimento de R$ 4.270,00 relativo a ''Serviços de Divulgação da Atividade Parlamentar''. Foram gastos R$ 2.520,00 com a empresa de painéis de Curitiba, R$ 1.000,00 com um jornal de Araucária, e R$ 750,00 com uma empresa de comunicação visual de Curitiba. Chamada para explicar os gastos, a assessoria de imprensa de Rosane afirmou que os valores se referem a despesas feitas em junho.
A assessoria de imprensa de Nereu Moura (PMDB) também informou que os R$ 1.250,00 gastos com ''Serviços de Divulgação da Atividade Parlamentar'' se referem a despesas feitas em 15 de junho com uma rádio de Laranjeiras do Sul, e em 18 de junho, com o Correio do Povo, cuja sede também fica em Laranjeiras do Sul.
Na prestação de julho de Antonio Belinati (PP) consta R$ 1.000,00 pago para uma rádio de Londrina a título de ''Serviços de Divulgação da Atividade Parlamentar'', mas o pepista também alega que o pagamento é anterior a julho. ''Uso indevido da verba do Legislativo renderia até perda do mandato. Seguramente são despesas antigas'', disse ele.
Equívoco
Já a assessoria de imprensa do petista Elton Welter informou que houve um equívoco na prestação de contas de julho do parlamentar. O valor de R$ 245,00 pagos a um jornal, de Marechal Cândido Rondon, não seria referente a ''Serviços de Divulgação da Atividade Parlamentar'', e sim a ''Assinaturas de Periódicos'', que é outra despesa prevista na verba de ressarcimento. A assessoria de imprensa ainda enviou à Reportagem, por fax, a nota fiscal do pagamento, para comprovar que a despesa, embora ressarcida em julho, foi paga no mês de abril pelo petista.
Duílio Genari (PP) e Felipe Lucas (PPS) gastaram com ''Serviços de Divulgação da Atividade Parlamentar'', respectivamente, R$ 1.150,00 e R$ 4.360,00. Genari também gastou R$ 2.460,00 com ''Serviços Gráficos e de Encadernação'', outra despesa vetada durante o mês de julho. O pepista afirma, contudo, que as despesas são anteriores a julho, mas ele não soube informar as datas exatas das notas fiscais. Já Felipe Lucas não foi encontrado pela Reportagem.
Ao longo do dia de ontem, a Reportagem tentou entrevistar algum representante da comissão que analisa as notas fiscais, mas a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa do Estado não retornou até o fechamento da edição. (C.S.)

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