Testemunhas ouvidas no inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF) apontam mais de R$ 100 mil de despesas não declaradas na prestação de contas da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT). No inquérito, que completa um mês no dia 29, foram ouvidas até agora 18 pessoas, das quais 11 afirmaram ter recebido valores não contabilizados.
O delegado Kandy Takahashi que preside o inquérito deve emitir um balanço parcial das investigações na segunda-feira, quando encaminha ao juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior, o pedido de prorrogação do inquérito por mais 30 dias. Ontem, ele adiantou que os valores declarados como não contabilizados pelas testemunhas está ''um pouco aquém'' dos R$ 5,3 milhões relatados pela ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia, autora da denúncia que gerou as investigações. ''Diria que está um pouco aquém. As investigações estão em andamento, não é possível até agora, no prazo de 30 dias, informar (os valores)'', disse. ''Acredito que o depoimento da Soraya foi bastante consistente, verossímil, mas alguns pagamentos realmente não tem como se contabilizar, como o pagamento de cabos eleitorais que provavelmente não aparece contabilizado e vamos ter que tentar verificar quanto foi gasto neste sentido'', complementou. Conforme a prestação de contas entregue pelo PT à Justiça Eleitoral, nos dois turnos da campanha teriam sido gastos R$ 1,3 milhão.
Hoje, outras sete pessoas que teriam trabalhado na publicidade da campanha deverão ser ouvidas pelo delegado. Na próxima semana será a vez do diretor de Marketing da Sercomtel Celular e um dos ex-coordenadores da campanha, Bernardo Pelegrini, prestar depoimento. Outras cinco pessoas foram intimadas formalmente para se apresentarem nos próximos dias. ''A gente optou por isso porque não houve até certo ponto a vinda dessas pessoas. Vamos formalizar para deixar isso bem claro'', justificou o delegado.
Takahashi ainda disse que poderá fazer acareações entre Soraya e testemunhas que deram relatos divergentes. ''Vamos ver se tem alguém mentindo. Se tiver, provavelmente vai ser oferecida oportunidade para se retratarem ou se mantiverem, vamos ter que tomar outras medidas. Provavelmente vamos pedir o apoio da Receita Federal, pedir uma ação fiscal.''
O presidente do PT e um dos responsáveis pela prestação de contas, Jacks Dias, disse que o partido somente deverá se manifestar após a auditoria das contas, mas admitiu que podem ocorrer algumas diferenças de valores. ''Pode ocorrer. Temos que fazer a auditoria e através dela vamos dizer se houve erros. Alguns valores podem ser questionados. Depende da forma como estão apresentados. Vamos estar nos defendendo de todas as questões para poder provar que não houve caixa 2.''
Ontem, o promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, ouviu o motorista R.B. que pediu para não ter a identidade revelada. Ele teria trabalhado na campanha petista e se apresentou espontaneamente, na semana passada, ao delegado para depor. Após o depoimento, R.B. pediu inclusão no programa estadual de proteção à testemunha, Pró Vida. Conforme o promotor, o programa solicitou parecer do MP. ''Meu parecer é favorável'', adiantou o promotor. R.B. e o advogado Mauro Aguilera não quiseram se manifestar sobre o pedido. Soraya, que também havia solicitado proteção policial, desistiu do programa.

mockup