Curitiba - A Secretaria de Estado dos Transportes investiga uma série de pagamentos feitos na gestão do antecessor Jaime Lerner (PFL). No total, a pasta levantou a cifra de R$ 46,1 milhões pagos a diversas empresas construtoras de obras e da área de informática. Os documentos relativos a esses pagamentos foram encaminhados à Procuradoria Geral do Estado (PGE) e ao Ministério Público (MP), segundo o secretário Waldyr Pugliesi.
Entre os pagamentos, consta um no valor de R$ 10,7 milhões à DM Construtora de Obras, da família de Darci Fantin, efetuado em dezembro do ano passado. O valor seria referente a obras na BR-376 (que liga Curitiba a Santa Catarina). A Rodoférrea, outra construtora, teria recebido R$ 8,4 milhões também por obras na BR-376. Procurada pela Folha, a DM não se manifestou. Já em informática teriam sido gastos R$ 2,3 milhões em sistemas de informática que, segundo Pugliesi, não funcionam.
Na reunião de secretariado, ontem de manhã, o secretário criticou o modelo de administração do governo anterior que, na opinião dele, foi ''equivocado''. ''O modelo neoliberal apontou um desmonte do poder público, demitindo o Estado de suas funções e passando as obrigações para a iniciativa privada'', reclamou o secretário.
Foram montadas 11 comissões dentro da Secretaria dos Transportes, para analisar as obras, serviços, consultorias e projetos, além de buscar soluções. O secretário relatou que vários contratos foram renegociados, com desconto, o que resultou em uma redução de 18% nos custos com obras.
O ex-secretário dos Transportes, hoje deputado estadual Nelson Justus (PFL), declarou que a atenção do atual governo sobre os contratos da gestão passada é ''importante''. ''Mas chegou a hora de deixar o discurso e partir para a ação.

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