'Desnecessário pintar um monstro', diz Sindserv sobre finanças
O Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv) contestou as declarações do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) neste final do primeiro mês de gestão, apontando dificuldades financeiras no caixa. Na expectativa de negociar a reposição da inflação, o complemento das perdas salariais e o aumento no auxílio alimentação, o presidente do sindicato, Marcelo Urbaneja, disse que ''é desnecessária essa política da administração de tentar pintar um monstro para depois dizer que conseguiu resolver o problema''.
O pedido que o funcionalismo pretende apresentar à administração ainda nesta semana, em reunião a ser confirmada, é o complemento dos repasses atrasados pelos anos em que não houve negociação, quando Nedson Micheleti (PT) chefiou o Executivo, de 2001 a 2008. ''Na gestão do Barbosa Neto (PDT) conseguimos 17% mas falta 20%.'' Quanto ao auxílio alimentação, a pretensão é elevar do teto atual, que é de R$ 245, ''para garantir isonomia com Cohab e CMTU, que pagam cerca de R$ 700''.
Urbaneja recorre aos números do primeiro mês de gestão para cobrar da prefeitura o atendimento às reivindicações. ''A receita líquida, aquela de onde sai o salário dos servidores, estava prevista em R$ 903 milhões e chegou a R$ 998 milhões, conforme disse o próprio prefeito.'' O sindicalista ressaltou que esse volume, possível com o bom resultado do Programa de Revisão Fiscal (Profis) no ano passado, resultou numa sobra de caixa de mais de R$ 30 milhões. ''Nunca um prefeito pegou a administração com dinheiro em caixa assim.'' De acordo com ele, a alegação das dificuldades financeiras já se tornou estratégia dos prefeitos. ''Precisam parar com essa estratégia, pois todo o início de governo é assim.''
Por outro lado, o secretário municipal de Fazenda, Paulo Bento, apresenta uma leitura menos otimista da planilha. ''Apenas a folha de pagamento é de R$ 35 milhões e orçamento não é só para pagar o salário. Temos que pensar na cidade como um todo.'' Ele citou como exemplo a frota da prefeitura, ''toda sucateada, precisando de uma solução''. Diante das reivindicações do sindicato, Bento afirmou que o pagamento da inflação, cerca de 6,5%, poderá ser feito, ''mas quanto aos atrasados teremos que conversar bastante''.
Embora se coloque à disposição para a conversa com o sindicato, o secretário evitou antecipar algum índice a ser oferecido. ''Respeito os servidores, merecem toda a nossa atenção, mas é muito cedo para falar em números.'' Para Urbaneja, o argumento do município, de que existem outras demandas que precisam ser resolvidas, não justifica eventual prejuízo aos servidores. ''É claro que vamos ter outras demandas, mas é exatamente para isso que precisamos de prefeito e secretários. Se fosse tudo certinho, não precisaríamos.''
O Sindserv aguarda confirmação da prefeitura para reunião sobre os salários dos servidores para quinta-feira. Estava marcado um encontro na semana passada, mas foi adiado pelo secretário de Governo, Christian Schneider, que ainda não estava com todos os dados necessários. A reportagem não conseguiu falar com Schneider ontem. (E.F.)





