A primeira audiência da denúncia contra 15 réus acusados de participarem de uma quadrilha que tinha como núcleo o Instituto Gálatas, entidade contratada pela Prefeitura de Londrina para prestar serviços de saúde, incluindo o Programa Saúde da Família (PSF), que somavam R$ 1,3 milhão por mês, resultou no desmembramento do processo. Quatro réus responderão às acusações separamente. Os 15 respondem por formação de quadrilha, peculato, desvio de dinheiro público e falsidade ideológica.
Os outros 11 réus acompanharam a audiência de ontem, em que apenas duas testemunhas de acusação foram ouvidas: o secretário de Governo, Marco Antonio Cito, e o diretor-financeiro da Secretaria de Saúde, João Carlos Barbosa Perez. ''Os depoimentos foram úteis para esclarecer o cenário em que os fatos criminosos ocorreram'', disse o promotor Cláudio Esteves, um dos autores da denúncia, que tramita na 3 Vara Criminal.
Cito, que era secretário de Gestão Pública quando os contratos da Saúde foram assinados, em 8 de dezembro do ano passado, afirmou ter repetido em juízo o que havia declarado no inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que em 10 de maio deflagrou a operação Antissepsia, resultando no indiciamento de 23 pessoas envolvidas com os esquemas no Gálatas e Atlântico.
Ao ser questionado sobre eventual cobrança de propina pelo ex-procurador do município, Fidélis Canguçu, para emitir pareceres favoráveis ao pagamento de valores retidos pela Secretaria de Saúde, Cito afirmou que ''no único momento em que falei com o doutor (Canguçu) a respeito dos pagamentos, relatei minha preocupação e questionei se deveríamos continuar glosando os pagamentos. E ele me disse que deveria fazer os pagamentos para que não fosse movida uma ação contra o município''.
Perez disse ter respondido sobre o ''entendimento divergente'' ao do então procurador, Canguçu, de que a prestação de contas deveria ser mensal e não ao final do contrato, que era de seis meses. ''Fizemos a glosa dos pagamentos referentes a serviços que estavam previstos no termo de parceria, mas que não haviam sido executados na totalidade.''
Canguçu, que permaneceu 58 dias preso em razão das denúncias, conversou rapidamente com a imprensa e não explicou porque emitiu pareceres favoráveis aos pagamentos das verbas retidas. ''Todos os meus pareceres preservaram o patrimônio público e a continuidade do serviço.'' Segundo a denúncia, Canguçu teria recebido R$ 50 mil do Instituto Gálatas para aprovar pagamentos à entidade. A próxima audiência será quinta-feira.
Testemunhas
Devido ao grande número de pessoas, a audiência de ontem ocorreu no Tribunal do Júri. Foram arroladas 20 testemunhas pelo Ministério Público e mais de 40 pelos réus. Devido à falta de tempo, todas as testemunhas de defesa foram dispensadas e somente devem ser ouvidas em 31 de agosto. A juíza da 3 Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas, acatou pedido de dois advogados e não permitiu que a imprensa acompanhasse a audiência.
A primeira-dama Ana Laura Lino, arrolada como testemunha de acusação, esteve no Fórum, mas, menos de cinco minutos depois de sua chegada, deixou o local. O prefeito Barbosa Neto, o secretário de Fazenda, Luiz Nicácio, e procurador jurídico, Paulo Tiene, foram arrolados como testemunhas de defesa, mas não se sabe quais réus os escolheram. Barbosa, Ana Laura, o ex-secretário de Planejamento, Fábio Góes, além de outras pessoas, estão sendo investigadas por possível prática de crimes na contratação do Atlântico.

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