Desistentes alegam falta de dinheiro e decepção
Falta de dinheiro e decepção com o papel desempenhado são alguns dos motivos que levam deputados a desistirem de disputar as próximas eleições. O deputado Sílvio Pessoa (PMDB-PE) disse que não tem dinheiro para bancar a campanha. Para se eleger à Câmara em Pernambuco, segundo ele, o candidato vai gastar em torno de R 1 milhão.
Sou da classe média e me encontro sem meios para disputar. Não tenho dinheiro para imprimir e enviar folhetos aos eleitores e fazer propagandas em outdoor, afirmou. Ele disse que, em seu Estado, a doação de cesta básica e a distribuição de água em carros-pipa são instrumentos de aliciamento de eleitores. Não culpo o povo, mas os que se aproveitam da miséria do povo para ganhar votos, afirmou.
Advogado, Pessoa é o relator do processo de cassação de José Borba (PTB-PR) e Valdomiro Meger (PFL-PR), acusados de prática de pianismo (quando um parlamentar vota por outro ausente na sessão).
A deputada Sandra Starling (MG), ex-líder do PT, não vai concorrer à reeleição por princípio e por decepção. Ela se diz desiludida com a subserviência do Legislativo ao Executivo. O Legislativo está perdendo poder cada vez mais. Aqui (Congresso) se dá mais valor ao espetáculo e menos à substância, afirmou.
A perda de poder pelos deputados é atribuída ao grande número de medidas provisórias editadas pelo governo. A edição das MPs confere ao presidente a prerrogativa de editar e reeditar leis. Essas leis vigoram, mesmo não tendo sido apreciadas pelo Congresso.(AF)





