Desistência de Tasso divide tucanos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
Cida Fontes e João Domingos <bR>Agência Estado - De Brasília 
Dirigentes do PSDB que integram todas as alas do partido reagiram de forma diferente à decisão do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), de suspender a campanha da pré-candidatura à sucessão presidencial. Uns, eufóricos, outros, cautelosos. Para o líder do partido na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), aliado de Serra, a saída de Tasso fortaleceu o nome do ministro da Saúde.
''A decisão do governador amplia a possibilidade de Serra conseguir a unidade interna de todas as forças do partido'', disse Magalhães Júnior. Já o líder do governo no Senado, Arthur da Távola (PSDB-RJ), também ligado a Serra, mostrava desconfiança. Ele teme que Tasso tenha feito uma grande jogada política, como se fosse um mestre do xadrez. ''É preciso decodificar o que Tasso fez'', disse.
Ontem, em Porto Alegre, Tasso disse que sua saída do páreo visou a preservação da legenda. ''Vamos torcer para que o ministro José Serra deslanche na campanha'', afirmou. Ele acrescentou: ''Caso a campanha não decole, é importante que ele tome uma atitude como a minha.''
Essas palavras do governador da sigla foram as razões maiores das desconfianças. Elas serviriam como uma espécie de desafio e ultimato ao ministro da Saúde. Porque, se Serra não conseguir melhorar o desempenho nas pesquisas eleitorais, Tasso poderia voltar por cima para dizer que teve um gesto grandioso e que chegou a hora de ser melhor tratado dentro da agremiação.
Mas nem os partidários do governador tucano se mostravam crédulos quanto à possibilidade de o líder estar jogando o xadrez político. O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), por exemplo, acha difícil o governador voltar à condição de pré-candidato. O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que, a partir de agora, Serra terá mais liberdade para articular a candidatura.
Para o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), a decisão de Tasso obrigará Serra a assumir de vez a candidatura. Bornhausen se disse favorável à manutenção da aliança que hoje dá sustentação a Fernando Henrique. O presidente nacional do PMDB, senador Michel Temer (SP), disse que o quadro no PSDB ficou melhor definido. De acordo com Temer, em relação ao PMDB, nada muda com o afastamento do governador da disputa.


