Desincompa- tibilização de secretários terá 2 etapas
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quinta-feira, 22 de janeiro de 1998
Curitiba 
Arquivo FolhaJustus: na primeira levaA desincompatibilização dos secretários de Estado que pretendem concorrer às eleições de outubro poderá ocorrer em duas etapas. A primeira antecipadamente em meados de fevereiro, conforme já vem anunciando o governador Jaime Lerner (PFL), e a outra em 2 de abril, prazo limite fixado pela legislação eleitoral de 98.
A primeira leva de secretários-candidatos a deixar o governo comportaria os que já vêm anunciando há meses suas pretensões políticas. Dentre eles, os secretários da Indústria e do Comércio, Nelson Justus (PTB), do Emprego e Relações do Trabalho, Joni Varisco (PTB), e o chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL).
Os demais permaneceriam nos cargos até o final de março, graças a uma manobra que está sendo articulada nos bastidores, à revelia do governador. Os beneficiários diretos dessa costura seriam os secretários da Administração, Reinhold Stephanes Junior (PFL), da Política Habitacional, Rafael Dely (PDT), e da Saúde, Armando Raggio (PSB), e alguns detentores de cargos no segundo escalão, de olho na disputa.
Stephanes Junior e Dely já teriam encontrado um álibi para postergar a permanência. O filho do ministro da Previdência Reinhold Stephanes (PFL) condiciona a sua participação no processo eleitoral à definição do pai, que postula a indicação ao Senado junto com Greca, a vice-governadora Emília Belinati (PTB) e o senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB). Se o ministro sair vitorioso na briga interna, o secretário faz uma dobradinha e concorre à Câmara Federal.
A situação político-partidária de Rafael Dely também pode sensibilizar o governador. O secretário diz que tem até abril para definir-se. Ele afirma ter saído do PDT e estar atualmente sem partido. Somente uma consulta à Justiça Eleitoral poderia acabar com o impasse jurídico que, segundo Dely, o impede de definir-se. O comando estadual do PDT informou ontem que não recebeu nenhum pedido de desligamento do secretário.
A manobra que estabelece a desincompatibilização em duas etapas tende a provocar descontentamentos entre os aliados. Três focos de reação já foram identificados: os secretários que terão de sair em meados de fevereiro, os substitutos contrários ao adiamento das mexidas administrativas e os deputados estaduais que acusam os secretários que usarem de suas pastas para se promoverem junto ao eleitorado do interior.


