Desiludido, Simon diz que deixará a política em 2015
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sábado, 20 de março de 2010
Gabriela Guerreiro<br> Folhapress 
Brasília - Após o anúncio do deputado José Eduardo Cardozo (SP), secretário-geral do PT, de que vai encerrar sua vida política este ano, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou sexta-feira, na tribuna do Senado, que vai se aposentar ao concluir o seu mandato - que termina em 2015.
Mostrando-se desiludido com a política nos últimos anos, Simon disse que não descarta a possibilidade de renunciar ao mandato diante dos últimos acontecimentos no cenário político nacional.
''É verdade que a minha decisão (de aposentadoria) está ligada à idade. Mas com idade ou sem idade, vivo ou morto, jamais me candidatarei a qualquer cargo. Pensei em renunciar ao meu mandato e ainda penso'', afirmou.
Simon disse que lamenta a decisão de Cardozo em deixar a vida política, mas reconheceu que a atual legislatura do Congresso Nacional não conseguiu implantar medidas necessárias ao país.
''Eu lamento que a classe política tenha chegado a uma posição tão deplorável. Eu lamento que nós não possamos fazer o mínimo necessário na questão da ética e da moral com a coisa pública.''
Aos 80 anos, Simon disse que tem o ''direito de se aposentar'' e ''poderia viver muito melhor'' fora do Senado. O peemedebista disse que ainda permanece na vida política porque acredita em mudanças no país.
''Vivo do meu mandato com a verba de senador, com os R$ 16 mil brutos e nada mais. Poderia viver melhor fora daqui. Talvez pudesse fazê-lo. Mas acho, com toda a sinceridade, que alguma coisa deve ser feita'', disse.
Aposentados
Irritado com a paralisia do Legislativo, o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) disse que a atual legislatura do Congresso vai fracassar se não conseguir encontrar soluções para os problemas dos aposentados brasileiros.
''Esta Legislatura, se não resolver a questão dos aposentados, não terá se justificado. Ela terá que ser riscada da história do Parlamento brasileiro. Eu proponho que o Senado Federal pare por completo: que não se aprecie mais matéria nenhuma enquanto a Câmara dos Deputados não cumprir com o acordo que foi feito com os aposentados'', disse.
Nas eleições de outubro, o Senado vai renovar um terço das suas 81 cadeiras. A maioria dos parlamentares mostrou disposição em disputar a reeleição ou outros cargos eletivos, cenário que se repete na Câmara. Dos 513 deputados, mais da metade demonstrou disposição em disputar as eleições de outubro.
Na semana passada, Cardozo encaminhou carta à direção do PT e a militantes do partido para anunciar a sua decisão de não voltar a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Segundo assessores, ele vai se dedicar a campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial e não tem seu futuro político definido.
No texto, Cardozo afirma que já tinha se comprometido a não voltar a disputar um mandato de deputado se não houvesse uma ampla reforma política.
''Desde a última campanha eleitoral, disse e repeti, por diversas vezes, que achava difícil a possibilidade de vir a participar de uma nova eleição à Câmara dos Deputados se não houvesse uma radical reforma do sistema político brasileiro'', afirma.


