Desgastes marcam os 100 dias de Barbosa Neto
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sexta-feira, 07 de agosto de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Quando assumiu a Prefeitura de Londrina em 1º de maio deste ano, após um conturbado processo eleitoral de três turnos, o prefeito Barbosa Neto (PDT) fez questão de que padres e pastores estivessem presentes na cerimônia de posse. As preces e orações na estreia do pedetista no Poder Executivo, contudo, não impediram uma série de desgastes que, ainda que minimizados pelo prefeito, marcaram os 100 primeiros dias de governo, completados hoje. É essa a opinião de analistas políticos ouvidos pela FOLHA, para os quais, entretanto, o período foi uma espécie de tempo máximo de espera para que as ações prometidas sejam, a partir de agora, efetivamente colocadas em prática.
Para o professor de Filosofia Política Elve Censi, o desgaste com a Câmara de Vereadores - explicitado, sobretudo, com a Comissão Especial de Investigação (CEI) do Transporte Coletivo - e mesmo a composição de forças no novo segundo turno, em que se aliou a nomes do PT e do PP de Antonio Belinati, explicam agora parte do que o estudioso avalia como um governo ''flutuante''.
''Antes da eleição, se previa que o Barbosa teria mais facilidade para negociar com a Câmara; ele teria uma base aliada mais pronta. Hoje, a gente percebe que não foi assim, talvez pela forma com que ele conduziu o processo'', disse Censi, para complementar: ''Na nossa história recente, quando Belinati foi cassado, ocorreu uma espécie de vazio de Poder Executivo que foi ocupado pelo Legislativo - e até a eleição passada, vereadores de longa data tinham essas bases consolidadas e ocuparam esse espaço. O Nedson (Micheleti) fez uma composição política com eles e dividiu o poder, cedendo cargos - quando o Barbosa assumiu, além da renovação de nomes no Legislativo, mas não com gente nova, pesou também a restrição de comissionados que ele se colocou''. Para o estudioso, o prefeito, aos 100 dias de administração, vive uma espécie de momento decisivo em meio a relações estremecidas com o Legislativo. Mas ele ressalva: ''A impressão que se tem é que um lado está estudando o outro''.
Apesar de ''positiva'', a restrição de comissionados, diz o analista, não impede pontos que são, também, ''nevrálgicos''. ''Por exemplo, quando ele fez escolhas que contrariaram setores da sociedade - concessões políticas, e não decisões técnicas. Além disso, se desgastou também com o reajuste da tarifa do transporte, ainda que de apenas 5%, e com a polêmica em torno do terreno para o Teatro Municipal. Eis um assunto que deveria se ter discutido a sério com toda a sociedade. Mas a partir de agora, mãos à obra.''
Na avaliação do sociólogo Marco Rossi, 100 dias de governo ''são muito pouco tempo'' para uma análise mais contundente. Mas ele pondera: para quem surgiu sob o emblema da novidade e da renovação na política, ainda que apoiado por velhos caciques, o prefeito apresentou ''muito pouca mudança nas políticas públicas''. ''Nada de novo surgiu no horizonte. Temos uma série de promessas de campanha, mas, na prática, temos Executivo e Legislativo trocando figurinhas de como as coisas deverão ser ao longo do mandato'', criticou. ''A impressão que dá é que se chegou ao poder com vontade e interesses específicos, mas sem saber o que fazer; na prática, estão flutuando - o prefeito não sabe onde está ou onde aterrissar em termos de confiança política.''
Barbosa classificou os 100 dias como ''período de avanços, sobretudo na limpeza da cidade''. ''Também demos uma resposta pela integração de cerca de quase 5 mil alunos da rede integral de ensino que queremos implementar'', citou. Questionado sobre promessas que nortearam de forma incisiva a campanha, como a Guarda Municipal, resumiu: ''Esse é um projeto urgente, para ainda este ano, assim como o das câmeras de segurança. O problema é que pegamos uma cidade cheia de buracos, com uma dívida enorme da Cohab para equacionar e o descrédito ou a desconfiança de parte da sociedade''.


